sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

CBM#16 - Balada à fantasia: críticas



Finalmente a crítica da ed. 16 do Chico Moço. Sei que estou super atrasada, mas confesso que não estava lá com muita vontade de escrever.

A história não foi exatamente ruim, só achei um tanto maçante porque se passou num único ambiente e girou em torno de o Chico descobrir quem ele tinha beijado. Mas o roteirista se saiu bem em mostrar o deslocamento dele naquele ambiente sufocante e agitado de balada. Há quem goste, mas eu não sei se iria gostar de um lugar tão agitado, abafado, cheio de gente (e germes). Gosto de festa, não de bagunça.

Também foi bom terem tocado um pouco mais na questão da Fran, que ainda está apaixonada por ele e pelo visto vai tentar conquistá-lo, o que para ser sincera já estou achando errado. Ela ter se declarado para ele antes ainda vá lá porque tinha pensado que o namoro dele estava ruim e era preciso correr algum risco. Quanto a isso eu não achei errado. Mas agora ela está insistindo mesmo sabendo que ele tem namorada e a ama.

Isso não é só chato como também é uma grande falta de respeito. Ele disse não, disse que ama a Rosinha e quer continuar com ela. Insistir nisso, a meu ver, é desrespeitar a decisão dele, seus sentimentos e direito de escolha. Se continuar assim, ele deveria cortar relações com ela de vez. Eu já tive problemas com esse tipo de pessoa insistente e é totalmente desagradável mesmo.

Por outro lado, eu até fiquei com pena do Vespa, que gosta dela e não é correspondido. Sei bem como é gostar de uma pessoa e ser praticamente ignorada. Ele é zé ruela e sem noção, mas parece gostar realmente dela e até demonstrou que não é má pessoa. E a fantasia dele para a festa? Para quem não conhece, é a fantasia dos Super Gêmeos, personagens criados nos anos 80 para o desenho Superamigos. Quando eles juntam as mãos, ganham poderes para se transformarem em outra coisa. O rapaz pode se transformar em qualquer coisa feita de água e a moça em qualquer tipo de animal. O Vespa fez o papel do rapaz e levou a boneca como sua irmã gêmea.

Também gostei das fantasias que cada um inventou e achei graça da fantasia de Barbie da Ferrugem. Se bem que nenhuma supera a fantasia de múmia do Zé da Rússia, apesar de ter causado um grande desfalque no papel higiênico do banheiro. Antes que eu me esqueça, parece que até o Violinista resolveu dar um tempo nas tretas de Umbra e apareceu na festa também.

Ah, claro, também teve o Genesinho pé-no-saco. E com ele, foi abordado um assunto muito importante: o boa noite cinderela. Vocês já devem ter entendido como funciona. A maior parte das vítimas são mulheres, que acabam sendo estupradas depois que apagam. Como evitar isso? Primeiro, evitem receber bebidas das mãos de outra pessoa, especialmente de estranhos. Mesmo de amigos, não é bom arriscar. Vocês sabiam que a maior parte dos crimes de estupros acontecem com amigos, parentes e conhecidos? Pois é. 

E mesmo que vocês peguem a própria bebida, não a deixe em cima da mesa ou em qualquer outro lugar. Se tiverem que levantar da mesa, levem o copo junto ou então beba tudo porque existe o risco de colocarem algo na bebida quando vocês não estiverem olhando.

Eu sei que a maioria dos leitores ainda são crianças e adolescentes, mas um dia vocês vão crescer e avisar nunca é demais. Pensando bem, mesmo vocês ainda sendo jovens não é aconselhável aceitar bebida de ninguém, mesmo suco ou refrigerante. Nesse caso, os conselhos que eu dei acima também valem. Todo cuidado é pouco.

Só mais uma coisa que deveriam ter falado na revista: batizar a bebida de uma pessoa para depois abusar dela é errado. Sempre. E a culpa é do agressor, NUNCA da vítima, entenderam? NUNCA, JAMAIS, NEVER. Não interessa se a pessoa cometeu um descuido. Ninguém é perfeito, sempre vamos cometer erros. Em um ambiente com muita distração, nem sempre vamos ter em mente todas as medidas de segurança. Tudo bem que devemos ter cuidado, mas se algo der errado, a culpa nunca vai ser de vocês. Vai ser de quem agrediu e abusou.

Estou falando isso porque infelizmente vivemos num país onde sempre culpam a vítima pelo que acontece e isso é um erro porque faz a pessoa se sentir um lixo e muitas vezes ela acaba não denunciando por medo das críticas e condenações. Vocês não fazem idéia de como isso é difícil e doloroso. Sem denúncia, o agressor não é preso e fica livre para fazer tudo de novo. Daí vem a importância de sempre acolhermos a vítima para ajudar não condenar e ficar falando que ela podia ter feito isso e aquilo.

Voltando a história, o Genesinho deu a bebida para a Fran, mas quem bebeu foi o Chico. E como ele não estava acostumado com bebida alcoólica, acabou ficando bêbado e teve até alucinações. Numa delas ele pensou ter beijado a Rosinha e aí vem o maior aperto. Será que ele beijou outra garota de verdade? Será que traiu a namorada sem querer? E o sentimento de culpa? Deve ter doído bastante.

Só não sei se fez sentido ele ter achado que a Fran foi culpada, porque era para ele ter lembrado que o copo de suco foi dado pelo Genesinho para ela. Ele bebeu porque quis, achando que ela não ia importar. Se bem que a cabeça dele ainda podia estar confusa por causa da bebida e até que foi bom ele ter falado umas coisinhas para ela e mostrar que não estava interessado em nada. Vamos ver se depois dessa ela desconfia e cai na real.

Apesar de ele ter pensado que traiu a Rosinha, acho que nesse caso não contaria como traição porque ele estava totalmente fora de si e não sabia o que estava fazendo. E ele nunca quis tomar nada alcoólico, aconteceu sem ele querer.

Quanto ao Genesinho, achei que o castigo dele foi pouco. Para o que ele fez, acho que deviam até ter chamado a polícia (se bem que aqui no Brasil isso não vale de muita coisa). Um cara que batiza a bebida de uma garota só pode estar mal intencionado. E se ele fez uma vez, pode fazer de novo com outra garota desavisada. Acho que por ter tocado nesse assunto, a história valeu a pena.

Como era de se esperar, descobrimos que o Chico não tinha beijado ninguém na festa. Acho que todo mundo meio que esperava esse desfecho, apesar de ninguém imaginar que ia ser com uma boneca. Mas enfim... é muito difícil o Chico fazer algo assim de forma consciente.

Essa foi a ed. 16, agora teremos a 17 falando sobre o sumiço de abelhas, algo assim. Na verdade, isso acontece mesmo na vida real. Nos EUA, Canadá e China as abelhas andaram sumindo. Dizem que isso aconteceu por causa da grande quantidade de pesticidas que contaminavam as flores e também devido às grandes plantações de um item só (soja, milho, essas coisas), o que acaba com a variedade. Aí as abelhas foram enfraquecendo e ficando vulneráveis a vírus, fungos e predadores.

Lembro de ter visto um documentário onde na China eles tentavam polinizar as flores usando uma grande vara com algodão na ponta. Eles iam passando esse algodão nas flores tentando imitar o que as abelhas fazem. Dá para imaginar o trabalhão danado que isso dá, né? Além de ser muito trabalhoso, não tem nem de longe a mesma eficácia das abelhas. E também não produz mel. 

Agora, só não sei ainda se vai ter abelhas gigantes, se o Chico vai encolher ou se a imagem da capa é meramente ilustrativa. Mas é claro que no fim ele vai resolver esse problema e trazer as abelhinhas de volta. É o Chico, esqueceram?

Só uma observação: eu reparei que eles não estão mais colocando o preview da revista do Chico no site oficial da TMJ. Até hoje estão parados na ed. da assombração do laboratório. Na boa... isso chega a ser pouco caso com os fãs. Se não querem mais colocar previews, pelo menos tirem aquela edição dali porque já está velha e não coloquem nada.

Se quiserem ouvir outra opinião sobre a ed. 16, podem ver esse vídeo: