Finalmente a crítica da
ed. 16 do Chico Moço. Sei que estou super atrasada, mas confesso que não estava
lá com muita vontade de escrever.
A história não foi
exatamente ruim, só achei um tanto maçante porque se passou num único ambiente
e girou em torno de o Chico descobrir quem ele tinha beijado. Mas o roteirista
se saiu bem em mostrar o deslocamento dele naquele ambiente sufocante e agitado
de balada. Há quem goste, mas eu não sei se iria gostar de um lugar tão
agitado, abafado, cheio de gente (e germes). Gosto de festa, não de bagunça.
Também foi bom terem
tocado um pouco mais na questão da Fran, que ainda está apaixonada por ele e
pelo visto vai tentar conquistá-lo, o que para ser sincera já estou achando
errado. Ela ter se declarado para ele antes ainda vá lá porque tinha pensado
que o namoro dele estava ruim e era preciso correr algum risco. Quanto a isso
eu não achei errado. Mas agora ela está insistindo mesmo sabendo que ele tem
namorada e a ama.
Isso não é só chato como
também é uma grande falta de respeito. Ele disse não, disse que ama a Rosinha e
quer continuar com ela. Insistir nisso, a meu ver, é desrespeitar a decisão
dele, seus sentimentos e direito de escolha. Se continuar assim, ele deveria
cortar relações com ela de vez. Eu já tive problemas com esse tipo de pessoa
insistente e é totalmente desagradável mesmo.
Por outro lado, eu até
fiquei com pena do Vespa, que gosta dela e não é correspondido. Sei bem como é
gostar de uma pessoa e ser praticamente ignorada. Ele é zé ruela e sem noção, mas
parece gostar realmente dela e até demonstrou que não é má pessoa. E a fantasia
dele para a festa? Para quem não conhece, é a fantasia dos Super Gêmeos,
personagens criados nos anos 80 para o desenho Superamigos. Quando eles juntam
as mãos, ganham poderes para se transformarem em outra coisa. O rapaz pode se
transformar em qualquer coisa feita de água e a moça em qualquer tipo de
animal. O Vespa fez o papel do rapaz e levou a boneca como sua irmã gêmea.
Também gostei das
fantasias que cada um inventou e achei graça da fantasia de Barbie da Ferrugem.
Se bem que nenhuma supera a fantasia de múmia do Zé da Rússia, apesar de ter
causado um grande desfalque no papel higiênico do banheiro. Antes que eu me
esqueça, parece que até o Violinista resolveu dar um tempo nas tretas de Umbra
e apareceu na festa também.
Ah, claro, também teve o
Genesinho pé-no-saco. E com ele, foi abordado um assunto muito importante: o
boa noite cinderela. Vocês já devem ter entendido como funciona. A maior parte
das vítimas são mulheres, que acabam sendo estupradas depois que apagam. Como
evitar isso? Primeiro, evitem receber bebidas das mãos de outra pessoa,
especialmente de estranhos. Mesmo de amigos, não é bom arriscar. Vocês sabiam
que a maior parte dos crimes de estupros acontecem com amigos, parentes e
conhecidos? Pois é.
E mesmo que vocês peguem
a própria bebida, não a deixe em cima da mesa ou em qualquer outro lugar. Se
tiverem que levantar da mesa, levem o copo junto ou então beba tudo porque
existe o risco de colocarem algo na bebida quando vocês não estiverem olhando.
Eu sei que a maioria dos
leitores ainda são crianças e adolescentes, mas um dia vocês vão crescer e
avisar nunca é demais. Pensando bem, mesmo vocês ainda sendo jovens não é
aconselhável aceitar bebida de ninguém, mesmo suco ou refrigerante. Nesse caso,
os conselhos que eu dei acima também valem. Todo cuidado é pouco.
Só mais uma coisa que
deveriam ter falado na revista: batizar a bebida de uma pessoa para depois
abusar dela é errado. Sempre. E a culpa é do agressor, NUNCA da vítima,
entenderam? NUNCA, JAMAIS, NEVER. Não interessa se a pessoa cometeu um
descuido. Ninguém é perfeito, sempre vamos cometer erros. Em um ambiente com
muita distração, nem sempre vamos ter em mente todas as medidas de segurança. Tudo
bem que devemos ter cuidado, mas se algo der errado, a culpa nunca vai ser de
vocês. Vai ser de quem agrediu e abusou.
Estou falando isso
porque infelizmente vivemos num país onde sempre culpam a vítima pelo que
acontece e isso é um erro porque faz a pessoa se sentir um lixo e muitas vezes
ela acaba não denunciando por medo das críticas e condenações. Vocês não fazem
idéia de como isso é difícil e doloroso. Sem denúncia, o agressor não é preso e
fica livre para fazer tudo de novo. Daí vem a importância de sempre acolhermos
a vítima para ajudar não condenar e ficar falando que ela podia ter feito isso
e aquilo.
Voltando a história, o
Genesinho deu a bebida para a Fran, mas quem bebeu foi o Chico. E como ele não
estava acostumado com bebida alcoólica, acabou ficando bêbado e teve até
alucinações. Numa delas ele pensou ter beijado a Rosinha e aí vem o maior
aperto. Será que ele beijou outra garota de verdade? Será que traiu a namorada
sem querer? E o sentimento de culpa? Deve ter doído bastante.
Só não sei se fez
sentido ele ter achado que a Fran foi culpada, porque era para ele ter lembrado
que o copo de suco foi dado pelo Genesinho para ela. Ele bebeu porque quis,
achando que ela não ia importar. Se bem que a cabeça dele ainda podia estar
confusa por causa da bebida e até que foi bom ele ter falado umas coisinhas
para ela e mostrar que não estava interessado em nada. Vamos ver se
depois dessa ela desconfia e cai na real.
Apesar de ele ter
pensado que traiu a Rosinha, acho que nesse caso não contaria como traição
porque ele estava totalmente fora de si e não sabia o que estava fazendo. E ele
nunca quis tomar nada alcoólico, aconteceu sem ele querer.
Quanto ao Genesinho,
achei que o castigo dele foi pouco. Para o que ele fez, acho que deviam até ter
chamado a polícia (se bem que aqui no Brasil isso não vale de muita coisa). Um
cara que batiza a bebida de uma garota só pode estar mal intencionado. E se ele
fez uma vez, pode fazer de novo com outra garota desavisada. Acho que por ter
tocado nesse assunto, a história valeu a pena.
Como era de se esperar,
descobrimos que o Chico não tinha beijado ninguém na festa. Acho que todo mundo
meio que esperava esse desfecho, apesar de ninguém imaginar que ia ser com uma
boneca. Mas enfim... é muito difícil o Chico fazer algo assim de forma
consciente.
Essa foi a ed. 16, agora
teremos a 17 falando sobre o sumiço de abelhas, algo assim. Na verdade, isso
acontece mesmo na vida real. Nos EUA, Canadá e China as abelhas andaram
sumindo. Dizem que isso aconteceu por causa da grande quantidade de pesticidas
que contaminavam as flores e também devido às grandes plantações de um item só
(soja, milho, essas coisas), o que acaba com a variedade. Aí as abelhas foram
enfraquecendo e ficando vulneráveis a vírus, fungos e predadores.
Lembro de ter visto um
documentário onde na China eles tentavam polinizar as flores usando uma grande
vara com algodão na ponta. Eles iam passando esse algodão nas flores tentando
imitar o que as abelhas fazem. Dá para imaginar o trabalhão danado que isso dá,
né? Além de ser muito trabalhoso, não tem nem de longe a mesma eficácia das
abelhas. E também não produz mel.
Agora, só não sei ainda
se vai ter abelhas gigantes, se o Chico vai encolher ou se a imagem da capa é
meramente ilustrativa. Mas é claro que no fim ele vai resolver esse problema e
trazer as abelhinhas de volta. É o Chico, esqueceram?
Só uma observação: eu
reparei que eles não estão mais colocando o preview da revista do Chico no site
oficial da TMJ. Até hoje estão parados na ed. da assombração do laboratório. Na
boa... isso chega a ser pouco caso com os fãs. Se não querem mais colocar
previews, pelo menos tirem aquela edição dali porque já está velha e não coloquem
nada.
Se quiserem ouvir outra
opinião sobre a ed. 16, podem ver esse vídeo: