TMJ#96 - Desencontros: Críticas ~ TMJ do meu jeitoTMJ do Meu Jeito

quarta-feira, 17 de agosto de 2016

TMJ#96 - Desencontros: Críticas




Pois é, gente... finalmente aconteceu. Bem... não vamos lamentar porque já sabíamos que isso ia acontecer mais cedo ou mais tarde, né? Confesso que até durou bastante. Depois de ler a ed. 69, eu pensei que esse namoro não ia durar nem duas edições e acabou durando 27. O mais engraçado é que eles começaram a namora na ed. 69 e terminaram na 96. Coincidência? Sei lá! Não acredito em numerologia mesmo...

A questão aqui é: mesmo sabendo que eles iam terminar algum dia, confesso que estou questionando um pouquinho a forma como isso aconteceu. Sei lá, acho que essa história meio que me deixou com um gosto ruim na boca apesar de nunca ter torcido pelo casal.

Eu achei a Mônica muito imatura no início, sempre fugindo do DC e recusando a ter uma conversa de gente grande com ele. Mas vá lá, ela é só uma pirralha de 15 anos. Embora eu ache que pouca idade não seja motivo para falta de educação, vou tentar dar um desconto porque não dá para ser sensato e maduro o tempo inteiro. Nem adulto de 30 anos consegue isso.

Acho que o objetivo foi mostrar o quanto o namoro estava se desgastando apesar de ainda haver sentimento entre eles. O auge de todo esse desgaste foi quando a Mônica perdeu a memória sobre o namoro e deu aquele fora monumental no pobre DC. Sei lá, não gostei dessa parte. Ele não merecia ter passado por isso. Tá, eu sei que ela não fez por mal, mas ainda assim foi triste.

Ah, claro, como eu imaginei o Cebola resolveu se aproveitar um pouco da situação, mas levou a maior bronca de todas. Sim, pessoal. Ele ainda tem um longo caminho pela frente antes de pensar em ter a Mônica de volta. Pelo menos ele tentou ajudá-la mesmo sabendo que isso significava salvar o namoro dela com o DC. Um passo para trás, dois para frente.

Como o DC já é meio cabeça virada, ele acreditou muito facilmente na história do Cebola, o que foi bom. O resto da história foi dedicado a resgatar as memórias da Mônica sobre o namoro. É aí que as coisas desandaram de vez porque o Cebola fez questão de mostrar que aquelas memórias não foram tãaao felizes assim. Mais ainda: deixou bem claro que apesar de haver sentimento, eles não eram compatíveis. No fim, o jeito foi terminar tudo.

Vou ser sincera: apesar de não ser doconica, eu fiquei me questionando se foi certo terminar o namoro daquele jeito. Quer dizer, achei que o DC desistiu fácil demais, sem nem ao menos tentar conciliar as diferenças. Que tipo de amor é esse que desiste de tudo ao primeiro sinal de problema? De certa forma, foi como o namoro da Mônica com o Cebola, onde ele desistiu de tudo por causa daquela neura em derrotá-la ao invés de tentar resolver as coisas.

Sem falar que eles deviam ao menos ter tentado conversar sobre a dúvida que a Mônica tinha sobre os sentimentos do DC. No fim das contas, ela só estava agindo daquela forma porque não sabia se ele realmente gostava da pessoa que ela era ou da pessoa que ele enxergava.  

Mas vamos considerar o seguinte: eles são jovens, imaturos e a MSP já devia estar com pressa para acabar com o namoro deles para poderem reconciliar a Mônica com o Cebola. Ainda assim, achei meio chato o DC terminar tudo logo na primeira crise. Se ele começar a agir assim em todo relacionamento, vai acabar sozinho com certeza.

Sim, eu sei que eles são diferentes demais, não curtem as mesmas coisas e tem muito pouco em comum. É esse detalhe que acaba me fazendo ter sentimentos conflitantes sobre o fim desse relacionamento.

Por um lado, essa constatação poderia ter sido uma chance de eles tentarem discutir de forma madura e encontrar um jeito de salvar o namoro. Por outro lado, entendo que quando as diferenças são irreconciliáveis, o jeito é cada um seguir o próprio caminho. Acho que só lamentei um pouquinho porque eles ainda se amavam.

Para a maioria das pessoas é meio difícil entender como um casal pode terminar um relacionamento enquanto ainda existe amor. É aí que eu começo a mudar um pouco minha visão sobre o fim do namoro deles.

Sabe, às vezes dá para conciliar as diferenças e encontrar um meio termo. Às vezes não dá. Simples assim. Acho que no caso deles, simplesmente não dava. Eles não tinham praticamente nada em comum, nada que os dois gostassem e pudessem fazer juntos. Para agradar um, tinha que desagradar o outro.

Mesmo que eles decidissem fazer metade do que cada um gostava, ainda assim não ia dar muito certo porque em todos os programas, somente um ia se divertir. Fazer isso uma vez ou outra ainda vá lá, mas o tempo inteiro? Complicado, não acham?

Mas sabem... eu ainda acho que tudo poderia ter sido resolvido com mais conversa e diálogo. Enquanto eu via as lembranças da Mônica e as tentativas do DC de agradá-la, inevitavelmente eu lembrei de uma metáfora que li tempos atrás:

Um casal de idosos comemora suas bodas de ouro após longos anos de matrimônio.
Enquanto tomavam juntos o café da manhã a esposa pensou: "Por cinqüenta anos tenho sempre sido atenciosa para com meu esposo e sempre lhe dei a parte crocante de cima do pão. Hoje desejo, finalmente, degustar eu mesma essa gostosura."

Ela espalhou manteiga na parte de cima e deu ao marido a outra metade. Ao contrário do que ela esperava, ele ficou muito satisfeito, beijou sua mão e disse: "Minha querida, tu acabas de me dar a maior alegria do dia. Por mais de cinqüenta anos eu não comi a parte de baixo do pão, que é minha preferida. Sempre pensei que eras tu que devias tê-la, já que tanto a aprecias."

Há quem interprete essa história como exemplo de amor e gentileza. Eu interpreto como falta de atenção ao parceiro. Acho que foi basicamente isso que o DC acabou fazendo, ainda que com as melhores intenções.

Uma coisa que eu sempre observei no namoro dos dois foi que ele sempre escolhia os programas e passeios baseado só no seu gosto pessoal esperando que a Mônica ia apreciar automaticamente. Mas será que em algum momento ele parou para perguntar o que ela realmente gostava? Procurou saber quais eram seus gostos e preferências? Sem querer, ele acabou meio que se comportando como a esposa dessa metáfora: simplesmente tentou deduzir do que a Mônica gostava ao invés de sentar e ouvi-la. Foi como o Cebola disse: ele imaginou muito, mas observou pouco.

A Mônica, por outro lado, acabou se comportando como o marido. Apenas foi deixando que o DC escolhesse tudo e em momento algum parou para lhe falar do que gostava com medo de magoá-lo. Esse é um dos problemas que de vez em quando vejo na Mônica: quando resolve ceder, ela cede demais.

Isso deve ter sido porque ela ficou com medo de ser muito mandona, do tipo que quer tudo do seu jeito, então ela decidiu ceder, só que exagerou um pouquinho porque acabou não sendo capaz de fazer com que o DC enxergasse que ela tinha seus próprios gostos e preferências.

Bom... no caso da metáfora, tudo podia ser resolvido de forma simples: dividir o pão de forma que cada um fique com partes iguais do lado crocante e do lado de baixo do pão, ou cada dia um come uma parte. Mas acho que a solução do namoro da Mônica com o DC é bem mais complicada porque significa que ambos teriam que mudar pelo menos em parte seu jeito de ser e isso pode ser um preço muito alto.   

Então no fim acabei entendendo que era mesmo hora de terminar antes que os dois acabassem se magoando ainda mais. Sim, ainda existe sentimento, a Mônica saiu muito triste nessa história. Ainda mais porque ela acabou finalmente reconhecendo e valorizando os esforços que o DC fazia por ela. Isso meio que tornou as coisas ainda mais dolorosas porque ela não queria realmente terminar, embora no fim tenha entendido que era necessário.

Só fico meio bolada porque é a segunda vez que ela leva um fora. Tipo assim, será que toda vez que ela arrumar um namorado, é ele quem vai acabar lhe dando um chute no final? Bem... talvez isso tenha sido feito para que o DC não saísse tão machucado assim da história. Afinal, se ela terminasse, ele meio que poderia ficar com a esperança de que os dois pudessem reatar, poderia ficar atrás dela, etc. Mas como foi ele quem terminou, o DC não vai poder fazer isso.

Ah, e não vamos esquecer do Cebola que apesar de tudo, tinha boas intenções. Se bem que parte de mim acha que ele estava meio que tentando boicotar o namoro deles ao falar das coisas ruins que tinham acontecido. Mas entendo que ele queria que a Mônica visse todos os lados e não só o lado bonitinho.

Pelo menos ele se focou no que era melhor para a Mônica ao invés de insistir em continuar tirando proveito. Ele viu que ela não era uma pessoa completa e, pior, não se lembrava do quanto ele tinha melhorado porque essas memórias estavam associadas ao namoro dela. No geral, a participação dele foi boa, melhor que a ed. dos aparelhos.

Eu aposto que todo mundo devia estar imaginando que a Mônica ia voltar automaticamente para ele com o fim do namoro, né? Naninanão, crianças! Não é assim que as coisas funcionam. Não faz sentido esperar que ela simplesmente se jogasse para cima dele após ter terminado um namoro onde ainda existia amor e quando seu coração ainda estava machucado com o rompimento.

Só que deve ter doído um pouco nos cebonicos quando ela falou em encontrar outra pessoa especial, talvez alguém que não conhece ainda. Isso mostra que ela não vê mais o Cebola como possibilidade, não pensa em voltar para ele. De certa forma, é uma confirmação dolorosa de que ela não o ama mais.

Eu já sabia, mas muita gente ainda continua em negação, vamos ver se agora percebem a verdade. Se o Cebola quiser a Mônica de volta, primeiro tem que aprender a ser gente. Depois reconquistá-la aos poucos, fazer com que ela volte a pensar na possibilidade de eles ficarem juntos porque atualmente ela nem pensa mais nisso. Sim, ele vai ter que fazer com que ela o ame novamente, com que surja um novo amor no coração dela. É um longo caminho, então não esperem que isso vá acontecer na ed. 100.

Apesar desse gostinho ruim na boca (que está passando), eu gostei bastante da história. O enredo foi bom, com um foco maior no relacionamento entre a Mônica e o DC. Isso fez com que eles percebessem que não tinham mais como continuar juntos apesar do sentimento. Isso só comprova o que eu já falei várias vezes: amor por si só não segura relacionamento. É preciso que haja compatibilidade, afinidade, semelhanças.

Mesmo tendo afinidade, é difícil administrar um relacionamento porque apesar de tudo são pessoas diferentes. Então imaginem quando as diferenças são grandes demais e o casal não tem nada em comum? Aí sim fica difícil, talvez impossível, manter um relacionamento bom e saudável a longo prazo. Acho que isso é também um aprendizado para os leitores.

O que eu achei do namoro da Mônica com o DC? Bem, agora que fechou o circulo, poso dizer o que penso. Foi bom, não nego. Ela precisava de uma razão para largar de vez do Cebola e seguir com sua vida. Porém...

Como boa feminista que sou, eu fiquei sim um tanto bolada de ver a vida dela meio que sendo regulada por dois rapazes. Deixa eu ver se consigo explicar direito:

Ela precisava desencanar do Cebola e seguir em frente. Certo. Mas será que não podia ter feito isso sozinha? Confesso que fiquei com a impressão de que ela precisou da ajuda de outro rapaz para poder sair de um relacionamento tóxico, como se ela na fosse capaz de fazer isso sozinha. Tipo, ela precisou ser “salva” pelo DC.

Sim, sim, nós sabemos que esse namoro foi necessário para o amadurecimento do Cebola, o que leva a outra questão: a de que decidiram dar um novo namorado para a Mônica não por ela, mas sim para que o Cebola pudesse amadurecer. É como se a vida dela fosse regulada pelas necessidades do Cebola, não pelas necessidades dela.

Sei que a Petra não teve essa intenção, jamais teria. Mas sei lá, confesso que isso já me passou pela cabeça várias vezes. É por isso que agora eu gostaria que a Mônica ficasse um tempo sozinha, que sua vida fosse direcionada para ela mesma e não para o amadurecimento do Cebola ou qualquer outro rapaz. Que ela viva por si mesma, somente para ela e sua felicidade. Se algum dia ela for namorar outro rapaz, que seja para o bem dela e não para servir de gatilho para o amadurecimento do Cebola.

E se algum dia ela for voltar para o Cebola, que seja porque ela o ama e quer de verdade, mas que esse amor não se transforme em “recompensa” pelo amadurecimento dele. Mas por enquanto, ela devia ficar sozinha, talvez fazer como a Aninha e descobrir novos interesses.

E espero que tanto ela, quanto o DC saiam desse namoro amadurecidos. Que ele aprenda a ouvir, observar e dialogar, que saiba perguntar o que a pessoa quer ao invés de somente imaginar.

E que ela aprenda a dar valor as coisas que fazem por ela, aprenda a reconhecer o esforço que a pessoa faz para agradar. Por outro lado, ela também tem que aprender a falar o que gosta, a dizer não para aquilo que não quer fazer e não cair em programas de índio só para agradar a quem quer que seja. Ela tem que aprender a ter mais equilíbrio entre dar e receber. Tem que aprender que não se pode aceitar toda e qualquer mancada, mas que também não pode ser totalmente intolerante a todos os erros.

Talvez ela tenha aprendido algo para levar para os próximos relacionamentos no futuro.

Essa foi a crítica do mês, espero que gostem apesar do texto longo. Eu ainda estou devendo 3 edições do CBM. Não me levem a mal, eu até que gostei das  histórias, só não consigo encontrar algo interessante para falar sobre elas.

Para mais opiniões, confiram o vídeo do Canal Opinião Turma da Mônica Jovem:

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