quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Comentários sobre a saga de Umbra - Segunda Parte

Esse post está dividido em duas partes porque ficou longo demais. A primeira parte está aqui: Comentários sobre a saga de Umbra - Primeira Parte


Outra roubada aqui é: se aquele violinista prevê o futuro, então como é que não previu que fantasminha malvada ia pedir ajuda ao Cebola e este, levando a chave na mão, iria direto para o portal?

O violinista prevê o futuro, mas a ênfase é na morte das pessoas. E quem garante que ele já não tinha visto o futuro? No fim da história, Cascão apontou a possibilidade de ele já ter visto tudo e usado a turma para derrotar Berenice e libertá-los.

Fazendo parênteses: desde quando alguém ficou famoso por filmar fantasmas? Se ficou famoso, certamente não foi com o tipo de fama que o Cebola desejaria ter...

Na vida real, pessoas podem perder a credibilidade ao filmar fantasmas, mas lembre-se de que estamos numa história fictícia, então nem tudo vai correr como na vida real. No mundo dos quadrinhos, uma pessoa pode sim ficar famosa por filmar fantasmas. Aliás, na vida real também há investigadores paranormais e até programas sobre o assunto. E mesmo que no mundo da TMJ uma pessoa pudesse ser desacreditada ao mostrar fotos e filmagens de fantasmas, como um moleque de 15/16 anos ia saber de toda essa história?

Sem falar que todo esse ceticismo aconteceu num tempo em que o espiritismo ainda não era muito conhecido, assim como investigações de assuntos paranormais. Nesse tempo, tal assunto ainda era novidade e tudo o que é novo sempre esbarra no ceticismo e na resistência das pessoas. Mas é bom lembrar que ele só queria ficar famoso com filmagens de fantasmas, não mudar a ciência e a religião. Seu documentário era investigativo, não científico.

Já que ele é tão sagaz para fazer associações em segundos, como o caso lá da chave, por que não perguntou:

_ Mas que idade tinha Berenice quando foi mãe? O caso aqui foi há 20 anos e agora parece uma nonagenária! Ela teve a filha aos 70 e pouco?

Que importância isso teria para a história NAQUELE momento?

Aí quando foi advertido de que era muito perigoso tirar o crânio de dentro da Umbra, juntando dois mais dois: era só uma questão de dar tempo ao tempo: Berenice morreria e o sem o crânio, assunto resolvido.

Acontece que para libertar os filhos de Umbra, seria preciso fazer a menina do lago passar pela porta. Só que com a morte da mãe, é claro que ela ia ficar com medo e jamais iria querer chegar perto da porta. 

E precisaria do crânio verdadeiro? Inteiro? Por que ele não perguntou o que aconteceria se levasse só os galhos?

Se levassem um crânio falso, a menina poderia ter percebido. E é lógico concluir que ela ia precisar do crânio inteiro, do jeito que estava no dia em que ela tentou assustar as sete crianças. Não fazia sentido nenhum levar só os galhos. Se destruir o crânio resolvesse alguma coisa, os filhos de Umbra já teriam feito isso há vinte anos atrás.

Incrível como num ambiente com variáveis tão desconhecidas, o Cebola bola um plano infalível sem se informar de nada, sem fazer reconhecimento do terreno, sem saber onde estava o inimigo e o que ele fazia...

Dessa vez, o Cebola foi pego por sua arrogância, porque subestimou os inimigos e não pensou em quaisquer imprevistos que poderiam estragar o plano. A Dona Morte o alertou de sua arrogância quando ele falou que seu plano era infalível. Nessa hora, ele ainda não tinha caído na real. E na boa... Como ele ia saber que a Berenice deu veneno para seus amigos, os enterrou no cemitério e usou seus espíritos como servos? O plano poderia mesmo ter funcionado se não fosse esse revés.

O Cebola é muito pior morto do que vivo... O Xavecão deveria saber disso antes de esmurrá-lo (TMJ 76, pág. 36). Já pensou se ele bate a cabeça numa pedra e morre?

O soco que ele levou do Xavecão foi bem merecido. Mas duvido que tenha sido suficiente para matá-lo. E mesmo que fosse, toda a titica já foi feita. A menina do lago pegou o crânio e o ritual ia ser completado. Então que diferença faria se ele morresse naquela hora? Se o mundo já estava à beira de ser condenado, o que mais poderia acontecer?

Aí fica revelado que a ideia de fazer o documentário sobre a lenda da jumenta voadora foi um plano diabólico do Cebola. E o Xavecão o acusa de SABER dos perigos, mas não avisar ninguém. Mas como ele ia saber que era perigoso? Os boatos na internet sobre os filhos da Umbra advertiam quanto a isso? Se havia mesmo perigo, será que ele não avisaria aos amigos?

O Cebola sabia dos filhos de Umbra pela internet e fingiu não saber de nada para fazer o documentário e ficar famoso, mas não imaginava que tudo poderia ser tãaao perigoso assim. Não havia como ele saber que tinha uma entidade maligna querendo destruir o mundo. Em lugar nenhum falaram disso. Ele pensou que fossem somente fantasmas, que talvez houvesse algum perigo mas nada tão grave assim a ponto de condenar toda a humanidade.

Às vezes tomamos decisões sem saber do alcance que ela pode tomar em nossas vidas. Se ele soubesse realmente que tudo isso ia acontecer, tenho certeza de que não teria feito nada. Ele só fez porque apesar dos boatos sobre os fantasmas, não imaginou realmente que isso ia colocar seus amigos e o resto da humanidade em perigo. Ele foi olho grande, arrogante e ganancioso, mas em momento algum agiu de má fé sabendo que ia prejudicar as pessoas.

O que foi feito daquela resolução que ele tomou de que não iria mais errar, nem ia mais apelar para planos ou golpes baixos (TMJ 71, pág, 123)?

Isso era sobre como lidar com a Mônica e reconquistá-la, não com trabalhos de escola. E ninguém muda de um dia para outro. São alguns passo para frente, outros para trás, recaídas, mais aprendizado, talvez outras recaídas... isso acontece.

O problema com essa aí de o Cebola saber dos boatos, etc e tal, é que não havia qualquer razão plausível para que ele escondesse o motivo de ir até lá para fazer o documentário. É possível até que o pessoal achasse uma boa, já que havia a versão oficial e a oficiosa e uns misteriosos filhos da Umbra...

Mas o resto da turma tinha o direito de saber onde estava se metendo e escolher se queriam ou não participar desse trabalho. Se eles ainda aceitassem correr o risco, seria por decisão deles. Além do mais, ele sabia que a Mônica tinha certo medo de fantasmas e o Cascão costuma ser medroso. Havia chances de ninguém querer correr esse risco só pra ele ficar famoso.

Os espíritos da turma voltam aos seus corpos, e eles despertam. Bem, considerando que um metro cúbico de terra pesa duas toneladas e meia... A Mônica talvez tivesse força o bastante para tirar a terra de cima dela. A Magali poderia usar sua magia para se teleportar (dá até impressão que usou...), mas e o Cascão? Onde ele arrumou força para sair? Eles foram enterrados sem caixão e aí o Cascão não teria como se mover, nem respirar, nada... Vacilo.

Não tem vacilo nenhum aí. No fim da ed. 75, quando Berenice enterrou os corpos, as covas não pareciam muito profundas. Só o suficiente para manter um corpo enterrado lá dentro. A terra não deve ter sido socada e pisada e com a água da chuva que caía, deve ter amolecido bastante. Então dava sim para eles terem saído sem grandes problemas.

Na TMJ 76 pág. 91 e 92 vemos que há algo errado nessa tão enfática afirmação de que o Cebola é tão, mas tão, mas tão egoísta mesmo: ele aceita arriscar sua vida para derrotar a jumenta. Que ultra egoísta faria isso?

O Cebola aceitou arriscar sua vida para derrotar a jumenta porque após ter sido confrontado com seus erros e defeitos, é claro que ele se arrependeu do que fez e queria consertar. Como falei antes, ele pode ser muitas coisas, mas não é uma pessoa realmente má ou perversa. E já mostrou em edições passadas que é capaz de reconhecer seus erros e aprender com eles. Tudo isso aconteceu DEPOIS de ele tomar consciência dos seus erros e conseqüências.

No fim a jumenta vê aquela ilusão da filha sendo levada, mas onde aparece que a fantasma real foi levada para a Umbra? O certo teria sido mostrar alguns dos filhos da Umbra a levando para lá. Muito que bem, a Bailarina fez a Berenice acreditar que via sua filha sendo levada, mas aí nem precisaria do meteoro do Absinto: era só manter a ilusão até que a Berenice atravessasse o portal...

Antes da Berenice ser atraída para a porta de Umbra, ela foi atingida por aquele raio disparado pelas sete crianças mais o Cebola. Isso a enfraqueceu bastante e pode ter feito com que ela não conseguisse sentir a presença da sua filha. Ou então aquela luz separou as duas, fazendo com que a menina fosse mandada para dentro da porta primeiro. Isso não ficou lá muito claro e para ser sincera, nem importa muito.

Uma vez que a Berenice atravessasse o portal, ele tinha que ser fechado rapidamente ou ela poderia voltar para trás. Se a Bailarina mantivesse a ilusão levando-a lá para dentro, poderia correr o risco de ficar presa lá também. E tem o seguinte, o objetivo era usar todos os filhos de Umbra, cada um desempenhando um papel diferente nessa luta. Então o Absinto tinha que fazer alguma coisa e para falar a verdade, ficou muito mais legal ele jogar o meteoro na Berenice do que ela simplesmente ter atravessado a porta atrás da ilusão da Bailarina.

Jogar a Sofia sobre o portal é meio esquisito. Já que o Xavecão veio do futuro e sabia de tudo, o melhor seria ter uma dinamite à disposição... Tudo bem, o que aconteceu dá um toque de humor.

Para querer dinamitar a porta, o Xavecão teria que saber da existência dela, só que no caso dele algumas lacunas não foram preenchidas, pois não é explicado como é o futuro de onde ele veio, quais eventos aconteceram e os conhecimentos que ele tinha a respeito. Em edições futuras isso pode ser esclarecido, pois a grande saga não acabou. Sem falar que jogar a Sofia em cima da porta foi muito mais legal do que usar dinamite. Era preciso que cada personagem ali tivesse uma finalidade.

Bom, eu daria um toque de pieguice lá com o Cebola e a dona Morte.

Pois eu não. A parte do Cebola com a Dona Morte foi ótima, não vi nada que precisasse ser melhorado. Acrescentar cenas e diálogos só ia fazer a história ficar maior ainda e também enfadonha e pesada com tantas explicações e blábláblá. O Emerson falou que quase precisou subir as escadas da Panini de joelhos com uma vela na mão para que eles aprovassem essa saga. Se fosse colocar mais coisas, então a história ia precisar de quatro edições. Sem chances de a Panini aprovar algo assim.

E o final foi outra piada sem graça: o Cebola morre, a Mônica se debulha em lágrimas, assim como os outros, aí ele ressuscita, começa o agarramento, mas é só a Denise falar que foi ele quem tirou o crânio da Umbra, que já sabia dos fantasmas e por causa disso deu aquela zoada toda...

Não vi nenhuma piada aí. Era necessário ter um pouco de drama na história e mostrar um Cebola realmente arrependido de suas pisadas na bola. Piada seria ela vê-lo morto e não esboçar reação nenhuma.

Como foi falado antes, o Emerson precisou adaptar o final para que a Mônica parasse de falar com o Cebola e assim não prejudicar as próximas edições. Já foi muito bem explicado por que ele precisou fazer isso. Até criança de dez anos conseguiu entender.

E era para ter zoada mesmo. As histórias do Emerson tem essa característica de misturar momentos de tensão, terror e drama com outros de comédia e zoação. Isso acontece ao longo das três edições. Então era para ser assim mesmo. A Turma chorando pelo Cebola num momento e tentando matá-lo novamente em outro.

E quanto ao Xavecão... Tudo bem que a Creuzodete estava de bode, mas se ele queria saber para onde foi a sua Denise adulta, poderia perguntar para ela.

E será que ela teria sido capaz de encontrar a Denise? Mesmo que fosse, qual seria a utilidade disso para a trama?

Se as crianças queriam que a gente saísse da casa que deixassem um bilhete na geladeira escrito: A Berê é zica. Vaza! _ Mas por que iriam acreditar neste bilhete? Ao menos nessa ele se mostra sem noção mesmo...

Isso deveria ser levado ao pé da letra? Falando assim, ele queria dizer que os filhos de Umbra deveriam ter avisado a turma numa boa, sem armar todo aquele show pirotécnico na casa. Logo, ele não foi sem noção coisa nenhuma. Foi até muito esperto por ter pensado em coisas que ninguém pensou.

Aí lembra do violinista que prevê o futuro e deduz que as crianças teriam usado o pessoal o tempo todo, pois sabiam que só assim venceriam a jumenta voadora. E que seriam gente boa havia 20 anos, mas todo esse tempo de purgatório... Os se e mais se são acompanhados de quadrinhos que dão a pinta de que todo o povo de Sococó das emas virou filho da Umbra. E o Xavecão, o Xaveco do futuro que sabia de toda a história, não ficou sabendo disso?

Não sabemos como é o futuro de onde o Xaveco veio. No futuro dele, a Berenice pode ter vencido e dominado o mundo. Então, para mudar isso, ele voltou ao passado para ajudar a turma. Mas como dessa vez ela foi vencida e mandada para Umbra, então o passado mudou, assim como os eventos.

A verdade é que eu acho que a Panini está perdendo tempo com esse lance de Mônica e Cebola separados. Os dois são o carro-chefe da TMJ e renderiam muito mais juntos do que com essa fusquinha toda.

Para mim essa história foi ótima e o Emerson tomou o cuidado de não deixar fios soltos. Não vi nenhuma incoerência, ele não tinha que transformar isso em drama de Mônica e Cebola. Nem tudo na TMJ tem que girar ao redor deles. Existem outros personagens, outros temas que podem ser trabalhados. Além do mais, até os fãs mais novos já sabem que eles vão ficar juntos um dia e que o namoro da Mônica com o DC é mais para criar suspense e vender revistas.

Sem falar que todo mundo já estava de saco cheio do chove-e-não-molha do Cebola, mas eles não queriam juntá-los agora. Então, mantê-los separados é que vai fazer vender revistas, pois os fãs vão esperar todos os meses para que eles voltem novamente. 



Enquanto eu lia esses comentários, fui lembrando de quando era criança e assistia o desenho do papa léguas me perguntando por que, ao invés de quase se matar tentando pegar um passarinho magricela, o coiote não comparava comida ou ia para um lugar melhor. Se ele podia comparar todas aquelas engenhocas, então podia comparar muita comida e assim não precisar caçar.

Eu também assistia o desenho dos Thundercats e me perguntava por que o Mun-ha não colocava bombas na toca dos gatos e assim poderia explodir os inimigos de uma vez, já que ele queria tanto se livrar deles. (nota: eu quase sempre torcia para os vilões)

Ao assistir seriados como Changeman, Flashman e outros similares do Japão, muitas vezes ficava irritada porque os vilões insistiam em atacar sempre do mesmo jeito apesar dos fracassos anteriores. Por que não tentavam outra estratégia, tipo descobrir onde os heróis viviam e assim atacá-los quando menos esperavam? Pois é. Com outros desenhos era basicamente a mesma coisa.

Mas sabe... com o tempo eu entendi que se o coiote tivesse encontrado outra solução para conseguir comida, o desenho teria acabado porque a trama centrava nas tentativas malucas dele de pegar o papa-léguas. O mesmo acontece com outras séries e desenhos. É preciso que haja história. Por isso, nem sempre a solução lógica é a melhor. Se tudo for solucionado, então a história acaba. O mesmo vale para Umbra. Claro que tudo vai depender do tipo de história e para qual público ela é destinada.

É bom lembrar que não é objetivo da TMJ ser um best seller ou uma megaprodução. Então não podemos exigir roteiros super elaborados, com soluções sempre lógicas e perfeitas. Se até grandes produções de Hollywood podem ter erros, não faz sentido nenhum esperar que uma história em quadrinhos seja totalmente perfeita.

Com o tempo eu fui suavizando minhas críticas exatamente por causa disso. Não faz sentido exigir perfeição, que tudo esteja certinho, nos lugares que com 100% coerência porque no mundo dos filmes, desenhos, séries e seriados isso não existe. Outra coisa que também precisa ser lembrada é que essas revistas são para jovens e adolescentes, não para adultos. Claro que adultos podem ler, mas isso não é para eles.

Então, um adulto ser muito severo com algo que não é voltado para a faixa etária dele chega a ser até absurdo e hoje eu percebo isso.

Antes eu exigia demais da TMJ, queria que os personagens tivessem atitudes muito maduras para a idade deles e hoje vejo que estava sendo severa demais, pois são jovens numa revista para jovens. Claro que algumas coisas já estavam enchendo o saco. Também não pode ficar absurdo demais, irreal demais. Tem que ter equilíbrio. Só que exigir perfeição demais também não faz sentido. Essa revista foi feita para entreter e divertir. Não é um tratado científico, não é um relatório ou tese de doutorado.

Eu já vi gente reclamando no facebook porque as festas na faculdade do Chico Bento porque ninguém enche a cara, fuma, usa drogas, é promísculo, etc. Oi? Ainda não perceberam que a faixa etária da revista é para crianças maiores que 10 anos? Se quer ler algo mais adulto, então procure algo para adultos. Se escolher ler algo para crianças, então vai ter que relevar algumas coisas, porque isso não foi feito para nossa faixa etária.

Também tem outro detalhe: quando lemos uma história, vemos o quadro inteiro. Mas os personagens não têm a mesma visão que a gente. Eles só vêem o que podem ver. Só sabem o que está ao alcance deles. Por isso nem sempre tomarão as decisões mais óbvias, porque não tem todas as informações que nós temos e também porque precisam enfrentar o estresse da situação, diferente de nós que vemos tudo de fora e não sofremos pressão.

Essa foi sim a melhor saga da TMJ e espero que venham outras iguais a essa.