E aqui temos a conclusão da estranha história de Sarah. Que
história tensa, não? Pois é!
Não foi só a história principal como também outras pequenas
coisas acontecendo ao mesmo tempo, o que enriqueceu o roteiro e não deixou tudo
focado numa coisa só. Gosto bastante desse tipo de narrativa.
Mas sabe... confesso que ao ler a história, especialmente a
primeira parte, uma coisa me pareceu estranhamente familiar. Então eu pensei,
refleti e finalmente me toquei que a história dela tem muitos pontos em comum
com um filme que todos devem conhecer ao menos de nome: Edward Mãos de Tesoura.
Masoquê? Sim, algumas coisas nessa história me lembraram o filme.
Veja bem:
Edward
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Sarah
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É diferente de todos por causa das suas mãos.
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É diferente por causa das cicatrizes de queimaduras.
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Vive isolado.
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Se isola dos outros e geralmente foge das pessoas.
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Tem uma incrível habilidade com suas mãos que o torna
capaz de fazer lindas esculturas com arbustos, gelo e também de cortar
cabelos.
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Tem uma habilidade sobrenatural de prever o futuro através
das cartas de tarô.
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Por causa das suas habilidades, passou a ser adorado por
todos (e usado por alguns). Ficou famoso, todos queriam seus serviços e por
um tempo ele se sentiu aceito e admirado. A família que o adotou passou a
ganhar dinheiro à custa dele.
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Por causa da sua habilidade de prever o futuro, ela ficou
popular na escola, todo mundo lhe procurava para fazer previsões e de certa
forma os alunos pareciam mais preocupados na sua habilidade do que na sua
amizade propriamente dita. E ela também foi usada pela Denise, que ganhava
dinheiro à custa dela.
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Quando algo deu errado, todos passaram a virar o rosto
para ele e até a hostilizá-lo. Então ele deixou de ser interessante para se
tornar um monstro perseguido por todos.
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Quando as previsões da Sarah começaram a não dar o
resultado que as pessoas queriam, todo mundo ficou de cara virada com ela e
uns até brigaram. Então ela deixou de ser interessante e popular.
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Assim como Edward, Sarah só queria ser aceita, levar uma
vida normal e ter amigos. Mas ela não é igual a todos, não é uma garota dentro
dos padrões e isso acaba dificultando sua vida. Ela sabe que é diferente, mas
não sabe o que fazer com seu dom, por isso acaba cometendo alguns erros no
início da história. Afinal, pela primeira vez ela se sentiu aceita e admirada.
Para quem viveu em isolamento por tanto tempo, isso foi uma tentação muito
grande. Mas infelizmente a maioria das pessoas que se aproximaram dela eram
apenas interesseiras, a começar pela Denise.
Gente, foi mal, mas acho que a Denise só presta nas
histórias do Emerson. Nas mãos dos outros roteiristas, ela vira uma fofoqueira
fútil e sem respeito por ninguém. Sim, porque até então ela nem falava com a
Sarah direito e de repente passou a se achar dona do poder dela, já estava
agendando consultas (sem nem perguntar se podia ou não), lhe sobrecarregava e
duvido que dava a ela alguma parte do pagamento.
Acho que de amigos de verdade ela só teve a Mônica, DC e
Cebola (apesar do medo inicial dele). Especialmente a Mônica, que pelo menos
tentava protegê-la dos outros alunos que lhe procuravam para fazer previsões
mesmo ela falando que estava cansada.
Sabe, eu achei bem interessante as previsões que a Sarah fez
para o Xaveco, Titi e Jeremias. E meldels! O Jeremias apareceu em mais que uma
página! Teve mais falas! Nossa, acho que nessa edição ele bateu o recorde em
participação nas histórias. Voltando ao assunto, eu não acredito em prever o
futuro. Acho que no máximo algumas pessoas mais sensíveis conseguem prever aquilo
que tem mais probabilidade de acontecer, mas não é uma ciência exata e nem tem
como ser, porque o futuro pode mudar a todo instante.
O problema de uma pessoa ter a capacidade de prever o futuro
mais provável é todo mundo achar que ela deve ser capaz de prever tudo. Se
acontece qualquer coisa que a pessoa não pode prever, povo já se acha no
direito de brigar.
No caso do Xaveco, bem... ele é azarado mesmo, então não
havia muito o que a Sarah pudesse fazer. Ela previu uma situação perigosa que
podia acontecer no caminho normal dele para casa, mas não tinha como saber que
poderia haver mais gente perigosa circulando pelo bairro. Talvez no caso dele
fosse algo que não tinha como evitar. Ou então ele devia ter tentado procurar
outro caminho, talvez chamar um dos pais para lhe buscar.
O do Jeremias foi bem interessante porque nesse caso tivemos
um efeito pigmaleão, ou profecia auto-realizável. É tipo: se achamos que algo
vai acontecer, nossa expectativa acaba fazendo com que realmente aconteça. No
caso do Jeremias, ele decidiu que não ia fazer nada e foi esta atitude que
causou a derrota do seu time.
A previsão da Sarah não estava errada, somente incompleta.
Mas é exatamente esse o problema de quem prevê o futuro. É muito raro alguém
capaz de fazer previsões completas e com exatidão. Ela não viu o quadro todo,
de que o time do Jeremias ia perder caso ele não participasse.
E para piorar, ele ainda colocou a culpa nela sendo que a
decisão de não participar do jogo foi dele. A Sarah deu a previsão, mas cabia a
ele escolher o que fazer a respeito. Ele poderia ter dado mais motivação ao
time, ter se esforçado para ver se mudava alguma coisa, só que decidiu não
fazer nada. Então o erro foi dele, não dela.
O caso do Titi, vou ser sincera, me deu um pouco de medo.
Pode parecer exagero meu, mas ele se comportou como esses ex-namorados que não
se conformam com o fim do namoro e perseguem as mulheres achando que são donos
dela. É esse o sentimento que ele tem pela Aninha: de posse. Tanto que se achou
no direito de querer brigar com o outro rapaz. Sabe, eu fico preocupada ao ver
coisas assim sendo retratadas em revistas porque as garotas podem achar que é
normal.
Mas não, gente, isso não é normal. Na vida real, casos assim
costumam acabar na morte da mulher. Com essa cena, o Titi mostrou que tem
potencial para se tornar agressivo e perigoso. Se hoje ele quis brigar com o
rapaz, o que ele vai fazer amanhã? Vai bater na Aninha? Tentar ficar com ela à
força? Então toda vez que ela tentar ficar com outro rapaz, ele vai aparecer
para brigar e armar barraco? O pior é que ele não entendeu por que ela ficou
tão zangada. Sério mesmo? Jura? E depois foi achar ruim com a Sarah como se ela
tivesse culpa de algo.
Outro problema enfrentado pela Sarah foi as pessoas acharem
que ela também tinha que resolver seus problemas, como no caso do Toni.
Acho que foi por isso que eu acabei lembrando do filme do
Edward mãos de tesoura. No início, ele era novidade e todo mundo achou bacana,
descolado, era moda. Mas quando as coisas começaram a dar errado, essas mesmas
pessoas que o admiravam no início passaram a hostilizá-lo.
Era isso que Victor tentava dizer, mas claro que no início
Sarah não deu ouvidos. Falando no Victor, o Emerson acertou em cheio: ele é
mesmo um fantasma! Sério, eu nunca teria percebido sozinha. A participação dele
foi muito legal nessa história, apesar de ele fazer o tipo misterioso e ninguém
conhecer a história dele. E já que a Sarah vai ficar permanente, eu espero que
ele também fique e um dia contem a história dele.
Bom, no início tudo parece ficar bem com a Sarah e depois de
um tempo tudo começa a desandar a ponto de ela nem querer mais prever o futuro.
Só que essa habilidade não estava nas cartas e sim nela mesma. Não tinha como
fugir disso. Mesmo depois de ter jogado as cartas fora, ela ainda teve aquele
sonho sinistro onde aparecem aqueles olhos raivosos e cheios de sangue
culpando-a por algo muito ruim.
Essa parte me deixou muito intrigada, sabe? Quer dizer, no
início eu pensei que esses olhos eram do Victor, mas depois eles apareceram num
sonho prevendo que algo de ruim ia acontecer com o DC. Só que nesse sonho, a
coisa culpava Sarah pelo que tinha acontecido. Aí fica a dúvida:
Aqueles olhos eram só uma imagem ou alegoria dos sonhos da
Sarah ou representavam uma entidade real? É viagem na maionese, eu sei, mas
poderia ser alguém do passado, talvez de outra vida, que tenha morrido com
muita raiva da Sarah. Talvez o Victor. Eu acredito em reencarnação, então para
mim não seria nenhum absurdo se eles tivessem se conhecido em uma vida passada
e o Victor tivesse morrido porque ela se omitiu ou não soube usar seus poderes.
Depois de um tempo ele deve ter perdoado e decidiu andar
junto com ela para ajudá-la. A princípio parece que o sonho era somente por
causa do DC e por ela não ter contado o que podia acontecer com ele. Mas tem
alguns poréns aí. Ela já tinha falado para Cebola e Mônica sobre a carta da
morte e que algo ruim poderia acontecer caso eles continuassem andando com ela.
Então o alerta já tinha sido dado.
O sonho aconteceu depois que ela não quis mais fazer
previsões e uma voz a culpava por tudo. Só que não faz sentido culpá-la pelo
acidente do DC. Qualquer um que atravesse uma avenida movimentada sem olhar
para os lados está sujeito a ser atropelado.
Por isso eu deduzi que o sonho não se tratava só de DC e sim
de alguma culpa que ela poderia ter no passado, em outra vida, quando deixou
alguém morrer porque não quis ou não soube usar seus poderes.
Bom, essa foi minha viagem na maionese, vamos voltar a
história. O DC, coitado, se lascou bonito. Acho que namorar com a Mônica dói um
bocado. Primeiro foi na história do circo, onde ele foi feito de escravo e até
levou algumas chicotadas (se bem que isso foi meio que culpa dele). Depois, em
herdeiros da Terra, ele foi raptado pelos aliens do planeta Tumba, feito de
cobaia, torturado e deixado pendurado com correntes estilos Hellraiser (isso
foi culpa dele também). Agora ele foi atropelado. Será que a Denise está certa?
Será que a Mônica só traz zica? Hahaha, só estou zoando, gente. Acho que não
tem nada a ver com a Mônica. Ele só tá aparecendo um pouco mais, então é normal
que mais coisas boas (e ruins) aconteçam com ele.
Como é necessário algum drama na história, ele precisou de
um tipo muito raro de sangue. E sim, gente, O negativo é super raro. Uma pessoa
que tem esse sangue pode doar para todo mundo, mas só pode receber de quem tem
do mesmo tipo. Sangue de RH negativo já é raro, o tipo O negativo é mais raro
ainda. Sério, o DC tem mesmo que ser diferente em tudo? Nossa! A Mônica ralou
um monte para conseguir sangue para ele e não conseguiu.
A ajuda só veio da pessoa mais improvável de todas. Ou não
tão improvável assim, né? Tinha que ter alguma situação em que o Cebola faz
algo para ajudar o DC. Mas antes, vocês repararam como o safadenho tentou se
fazer de dengoso para consolar a Mônica? Sei lá, pela expressão dele não me
pareceu que ele só queria oferecer o ombro amigo. Pelo menos dessa vez o
roteirista fez a Mônica tomar a atitude certa: se afastar. O DC confia nela e
não tem crises de ciúme, tanto que ficou de boa mesmo vendo os dois de mãos
dadas, mas é sempre bom não abusar.
E para a surpresa geral, ele tinha o mesmo sangue que o
Cebola, numa grande coincidência, e acabou fazendo a doação. É a primeira vez
que ficamos sabendo da idade do Cebola desde a ed. 48. Esse lance de idade da
turma é uma baita maçaroca, porque se formos contar pelas histórias do Emerson,
o Cebola teria uns 17 anos, não quase 16. Tá, tá, não vamos pensar nisso.
Tudo terminou bem. O DC recebeu sangue, sobreviveu ao
acidente, ficou com a Mônica ao lado dele toda cheia de dengo e o Cebola
conseguiu reconquistar a confiança dela, ganhando muitos pontos que podem ser
úteis no futuro.
A Sarah finalmente entendeu o propósito dela e como usar
seus poderes sabiamente e ficou numa boa com o Victor. No fim, ele deu a
entender que ela ainda ia descobrir mais sobre seus poderes com a ajuda dos
amigos.
Interessante esse final e eu fiquei pensando... a Sarah sabe
ou não que o Victor é um espírito? Quer dizer, ela conversa com ele como se
fosse uma pessoa de carne e osso sem importar se os outros olham atravessado. E
quando o Cebola diz que ela estava falando sozinha e ela respondeu que não,
ficou parecendo que ela sabia sim que o Victor é um fantasma.
Se ela não soubesse, deveria ter estranhado as pessoas a
olharem atravessado quando ela conversa com o Victor na rua. E o teria
apresentado ao Cebola também, o que não aconteceu. Se ela não fez isso, então
devia saber que ele é um espírito. Por outro lado, ele deu a entender que ela
não sabia de todos os seus poderes ainda, o que pode ser uma pista de que ela
também não sabe quem ele é.
Ainda falando no Victor, confesso que eu o achei um tanto
fatalista por acreditar em destino e dizer que não se pode ir contra ele. Eu
não acredito em destino, acredito em possibilidades. Umas
são mais possíveis do que as outras e podem mudar a qualquer instante. Não acho
que nossa vida já esteja escrita no mármore e que nada possa ser mudado.
Outra coisa que achei muito legal na história foi a tensão
entre Cascão, Cascuda e Magali. Repararam na fala da Cascuda dizendo que a
Sarah não era a única a ter premonições. Será que isso é uma indicação de que o
namoro do Cascão vai acabar no futuro e ele irá ficar com a Magali? O mais
interessante é que ele parecia mais preocupado em saber quando sua perna ia
sarar do que em resolver as coisas com a namorada dele. Já vi que isso vai
render bastante no futuro e tomara que renda mesmo. Se bem que eu prefiro a Magali
com o rapaz da história Reencarnação.
Sei lá, o Cascão é muito avoado para ela, que gosta de
receber mais atenção. Sem falar que ele precisa de alguém com pulso firme ou
não vai a lugar nenhum e Magali não é do tipo que pega no pé. A Cascuda é mais indicada
para ele. Bem, vamos ver no que vai dar, certo?
Essa foi minha crítica. Sim, escrevi um texto enorme e muita
gente deve estar até com medo de ler. Eu também fiz um desenho do Victor, tem
Png e quebra-cabeça. Espero que gostem!
Para ouvir outra opinião, confiram o vídeo do Canal Opinião Turma da Mônica Jovem: