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terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Recomeçando o abecedário



No artigo anterior eu falei um pouco sobre como aprender um novo idioma e até indiquei um livro bacana que fala desse assunto, espero que vocês estejam lendo porque vai ajudar muito não só para aprender inglês como para aprender outras línguas também.  

Beleza. Como começar a aprender o japonês? Ô língua que assusta, viu? Sim, aposto que muita gente deve ter medo por causa do sistema de escrita. Vocês devem estar pensando que precisa ser gênio no nível asiático para poder aprender. Mas por que esse medo todo? Eu fico me perguntando se as pessoas teriam tanto medo se o alfabeto deles fosse igual ao nosso.

Acho que a resposta é não. Se tivesse o mesmo alfabeto que o nosso, o japonês não seria tão assustador assim. Por outro lado, acho que também não seria tão fascinante.

Por que uma língua de alfabeto diferente assusta tanto? Será que isso a torna tão mais difícil assim? Depende. Nós nos acostumamos com o nosso bom e velho alfabeto latino desde... sempre. Quando vamos aprender outro idioma que usa esse alfabeto, nós meio que ficamos com um pezinho na nossa zona de conforto porque já o conhecemos. Não precisamos aprender todas as letras de novo. Só precisamos aprender os novos sons.

Mas com uma língua de alfabeto diferente tudo muda de figura. Isso significa que nós vamos quer que voltar aos tempos da nossa alfabetização e aprender novamente todo o “abecedário” da nova língua. Não sei se é isso mesmo, mas eu acho que nosso cérebro se acomodou tanto ao nosso alfabeto que quando vê algo diferente, logo começa a espernear porque aquilo não tem nada a ver com o que ele aprendeu ao longo dos anos. É diferente demais e ele não tem informação sobre aquilo.

Tipo, nós já sabemos como escrever “a” em português, mas nosso cérebro ainda não conhece como representar esse mesmo som em japonês. Aqueles novos símbolos não dizem nada, são só rabiscos ou desenhos. Dá aflição, é estranho. Nós vamos ter que começar do zero igual fizemos quando entramos na escola e aprendemos a ler. Primeiro aprender cada letra, depois juntar para formar as palavras, etc. 

Sem preguiça, gente! Quem quiser aprender qualquer idioma com alfabeto diferente do nosso vai ter que passar por isso. Então, para aprender o japonês, temos que aprender o alfabeto primeiro. Saber cada letra e o som que ela representa.

De forma resumida, o japonês tem três sistemas diferentes: hiragana, katakana e kanji. Os dois primeiros são fonéticos, cada letra representa um som (tipo nosso alfabeto, olha que beleza!). Já o kanji é diferente porque ele não representa sons e sim idéias. Para ficar mais fácil de entender, vamos dar uma olhada nesse kanji:
Ele significa gato. Como a gente faz em português? Nós juntamos as letras g-a-t-o para formar um conjunto de sons que formam uma palavra conhecida por nós. Só que com o kanji é diferente porque ele não representa som e sim a idéia de gato.

Já o hiragana e katakana representam sons. O hiragana é usado meio que de forma geral. As crianças são alfabetizadas com ele e também é usado para escrever palavras que não tem kanji (ou tem, mas é pouco usado). O katakana foi feito para escrever palavras de origem estrangeira. 

Cada alfabeto tem 46 símbolos. Opa, já querem sair correndo? Calma aí, vou mostrar para vocês que não é tão ruim quanto parece. Pensem o seguinte: quantos sons possíveis podemos fazer juntando as legras do nosso alfabeto? Lembrem de quando aprenderam a escrever e tiveram que ir decorando como combinar as consoantes com as vogais.

b + a = ba, b + e = be e por aí vai. Depois tivemos que aprender o q (qui-que e também o qua e quo), entre outras coisas. Lembram da confusão de letras que produziam sons parecidos, como “s” com som de “z”, “c” com som de “s”? O “c” antes das letras a-o-u formam um tipo de som, mas antes de e-i formam outro som. O mesmo vale para “s”. E ainda tem a @#*$% do “ç”.

E eu nem falei do som “nh”, “lh”, algumas letras são combinadas com r (br, pr, tr), outras vem com l (bl, pl, gl). Quando usamos “m” mudo ou o “n” mudo? E o “l” mudo, como fica? Tem o “s” mudo também. Ah, e não se esqueçam dos acentos, viu?

Nós tivemos que aprender como aplicar cada regrinha para ter o som certo. Do jeito que eu falo parece bizarro mesmo, só que ficamos tão acostumados que quase nem vemos dificuldade. Mas na hora de aprender foi um tanto assustador sim. As regras pareciam não acabar nunca.

Estou falando isso porque se pensarmos bem, o português é mais complexo porque tem mais regras, mais combinações, etc. que o japonês.

Às vezes penso que um japonês teria mais dificuldade para aprender nossa língua que o contrário. Para começar, o português tem mais fonemas que o japonês e muitos sons que eles não pronunciam. E não basta aprender o alfabeto, tem que aprender a combinar as letras conforme já falei. Imagine o trabalho que um japonês vai ter para aprender isso! Ao aprender japonês, vamos ter esse trabalho sim, só que bem menos se comparado ao português.

O katakana tem os mesmos sons que o hiragana, só muda a forma das letras. Também tem um conjunto novo de sons que foram adicionando porque esse alfabeto foi feito para escrever palavras de origem estrangeira, mas isso a gente vai aprendendo com o tempo mesmo, não precisa decorar tudo agora. Por enquanto, fiquem só no básico.

Não sei se consegui transmitir a idéia, mas a meu ver o alfabeto japonês é mais fácil que o português em vários pontos. Quando decoramos tudo, já sabemos como combinar as letras e conhecemos seus sons. Não é muita coisa, dá para aprender cada um deles em uma semana.

Quêeee? Uma semana? Como assim?

Uma semana, meninos e meninas. Com um pouco de empenho e dedicação, dá para aprender cada um desses alfabetos em uma semana. Uma para o hiragana e outra para o katakana.

Mas como fazer isso? Usando a ferramenta certa. No próximo artigo vou ensinar a vocês como decorar o hiragana e o katakana. Quando pegarem o jeito, o aprendizado vai fluir que é uma beleza.

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