quarta-feira, 2 de maio de 2018

A Zona Morta

19:35 0 Comentários

Autor: Stephen King
Publicação: 1979
Páginas: 480
Nota: 8,5

Sinopse: Johnny Smith é um homem que sofre por possuir um estranho poder: ao tocar em uma pessoa, torna-se capaz de prever seu futuro. A origem desta capacidade está ligada à chamada "zona morta", uma área do cérebro de Johnny que não conseguiu se recuperar após um acidente de automóvel que o deixou em coma. Mas, ao tocar a mão de Greg Stillson, Johnny descobrirá que seu poder é muito mais perigoso do que imagina. A Zona Morta é mais uma obra do gênio do terror Stephen King.

O livro é narrado em terceira pessoa, mostrando os pontos de vista dos diversos personagens que vão aparecendo no livro. E essas histórias vão se entrelaçando com a do personagem principal ao longo do livro.

Johnny Smith é professor de inglês que vive na Nova Inglaterra. Sua vida é bem simples, ele adora lecionar e ama sua namorada. A história começa em 1970, quando ele e a namorada vão a uma feira local para se divertir. Na volta para casa, o taxi onde ele estava sofre um acidente que o deixa em coma por quase cinco anos.

Enquanto isso, sua namorada, que já não acreditava mais em sua recuperação, segue sua vida e se casa com outro. Seus pais continuam lhe dando apoio do jeito que podem embora tenham sido desacreditados pelo médico. Seu pai, Herb, é um homem simples, carpinteiro e sua mãe, Vera, uma fanática religiosa que acredita em qualquer coisa, desde anjos pilotando discos voadores até a entrada do céu se encontrar no Pólo Sul.

Ao acordar, o que foi visto como um milagre, Johnny descobre que pode prever o futuro e descobrir coisas sobre as pessoas tocando nelas ou em seus objetos pessoais. É aí que toda a confusão começa.

Cada vez que ele faz uma previsão e acerta, as pessoas ficam cada vez mais alarmadas. Repórteres o perseguem, várias pessoas lhe procuram pedindo ajuda para os mais diversos problemas e tem que lidar com pessoas lhe chamando de charlatão o tempo inteiro. Desde então ele luta para manter sua privacidade, pois nunca teve interesse em ganhar a vida usando seus poderes (e não foi por falta de oportunidade).

Johnny é boa pessoa, procura fazer o que é certo e não gosta de tirar vantagens de ninguém. Ele realmente quer refazer sua vida após o acidente ao invés de se aproveitar da fama de “médium”. Mas nada disso parece importar para as pessoas que o perseguem ora pedindo ajuda, ora acusando-o de só querer chamar a atenção.

Seu dom assusta as pessoas, que passam a sentir medo de serem tocadas por ele. É um misto de admiração e repulsa. Em um instante ele é visto como alguém extraordinário, em outro como uma aberração comparada a uma vaca de duas cabeças. Uns querem tocá-lo, outros fogem.

Ele tenta fazer com que todos o esqueçam, mas às vezes acaba tendo que usar o seu poder e tudo começa novamente. Outro ponto abordado no livro é o grande sentimento de perda que ele sofre ao perder quase cinco anos da sua vida. Ele perdeu a namorada, a quem amava, perdeu todas as mudanças e progressos que aconteceram nesse intervalo de tempo e perdeu o emprego de que gostava tanto. Até um tipo novo de caneta lhe causa estranhamento. Junto com tudo isso, ele ainda sofre com a mãe, que está cada vez mais fanática e delirante. 

O personagem é bem feito, tem profundidade. Nós torcemos por ele, queremos que tudo dê certo e ficamos indignados com a forma como as pessoas o tratam ao longo do livro. A história foca muito no dia a dia dele, em sua tentativa de se recuperar do acidente e  refazer a vida.

E ele esteve bem perto de fazer isso, mas acabou se vendo num grande dilema quando conheceu o político Greg Stillson. O quê, exatamente? Só lendo para saber! 

É uma boa história, bem construída e a leitura prende. Mas confesso que não foi o melhor livro de Stephen king que eu li até agora. Apesar de interessante e de prender a atenção, a história não foi exatamente emocionante e em alguns pontos o ritmo foi até bem lento.

Só não esperem que ele mostre seus poderes a cada duas páginas. As demonstrações dele são relativamente poucas, pois na maior parte das vezes evita usar seu dom porque é desconfortável tanto para ele quanto para a pessoa a quem toca.

Os outros personagens são variados. De uns a gente acaba gostando, outros nós odiamos. E são bem construídos também. Para ser sincera, no entanto, não gostei muito as Sarah. Muito chatinha, cheia de frescuras, do tipo que falta pouco morrer por causa de qualquer coisinha. Mas no fundo é boa pessoa.

Um ponto interessante da história é esse misto de fascinação e repulsa que as pessoas sentem quando vêem alguém que possa ter poderes extraordinários. Querem fazer um espetáculo com essa pessoa, mas ao mesmo tempo lhe tratam como aberração. De um lado, a pessoa é incentivada a tirar proveito dos seus poderes e de outro é taxada como charlatã e aproveitadora. Qualquer alternativa que a pessoa venha a escolher, sempre será vista como errada.

Em determinado ponto do livro, ele começou a receber cartas com insultos e xingamentos. Se houvesse internet com redes sociais naquela época, acho que ele teria surtado de vez porque teria sido 1000x pior. As pessoas costumam ser muito cruéis e sem noção, julgam sem conhecer, condenam sem saber o que realmente acontece.

Sabe... eu não sei se existem ou não pessoas com poderes sobrenaturais. Mas caso existam, dá para entender por que não aparecem na mídia. A dor de cabeça é tanta que acaba não valendo a pena. Se eu tivesse algum poder, ficaria na minha e usaria em proveito próprio (mas tentaria ajudar as pessoas na medida do possível). Mesquinho? Errado? Talvez, mas eu prezo muito pela minha paz de espírito. Não vou jogar isso fora só para ter publicidade e pagar de heroína. 

A leitura do livro vale a pena, apesar dos poréns que eu citei. É fácil de ler, de imaginar a história, tudo é bem descrito e conseguimos ter uma boa idéia do que Johnny sente. Por isso, recomendo.

sábado, 14 de abril de 2018

TMJ#11 - A evolução das máquinas: Críticas

10:40 0 Comentários


Eu estava ansiosa para ler essa história, mas precisava ler e fazer a crítica das outras primeiro, então tive que esperar.

Bem... confesso que Cebola e jogos não é exatamente original, mas fiquei feliz de ver a Mônica participando e se interessando mais, embora ainda precise melhorar bastante. O começo foi bem legal e até com um pouco de adrenalina. Realmente torci para o Cebola ganhar o jogo, mas dessa vez não deu. Já o Nick foi bem chatinho e arrogante, alguém precisa quebrar o topete dele.

Mas engraçado mesmo foi quando aquela “bola do caipiroto” apareceu no quarto do Cebola. E a cena de perseguição foi quase algo de filme. Só fico pensando no que a mãe dele vai pensar quando souber que o filho andou usando um vaso seu como arma. No início eu pensei que a tal bola quisesse capturá-lo, por isso fiquei surpresa quando vi que só queria “consertá-lo”. E curiosa também. Como é que ela ia fazer para consertar um humano?

Eu diria que o começo foi bem conturbado e levei um susto quando soube que aquela bola falante era o B.O.R.E.A.S.. Quer dizer, ele não se parecia muito com o desenho da capa, né. Mas pelo menos é uma bola é resistente porque aquela pancada que a Mônica deu foi de matar. E agora, como o Cebola vai explicar aquele buraco na parede aos seus pais? Vai dizer que os dois se empolgaram demais?

Com a chegada do robô, começa o mistério. O que é e de onde vem? E por que foi criado? Ele não soube responder nenhuma dessas perguntas. Para falar a verdade, a maioria de nós também não sabe.

Mas uma coisa é certa: parece que o B.O.R.E.A.S. realmente gosta de avacalhar o Cebola. Poxa, será que o nível de dificuldade para melhorá-lo é realmente nove mil?

Não posso deixar de mencionar a chegada da Magali e do Cascão, especialmente a empolgação dele. Se tem robô, tem o Cascão todo empolgado. Especialmente depois de ver a mudança que ele fez no quarto do Cebola, com direito até a robô empregado. Eu também ia querer com certeza. Se bem que o lance de ser quase escravizado pelo robô para treinar sem parar não me atraiu muito. Coitado...


Só uma coisinha: não sabia que a Mônica curtia k-pop. Deve ser uma referencia ao livro “Turma da Mônica Jovem: Uma viagem inesperada”, onde a Mônica vai para a Coréia do Sul. Eu também gosto de k-pop e j-pop, embora não tenha nenhum cantor/grupo preferido.

Ao ver que o Cebola estava com dificuldade para melhorar no jogo, o B.O.R.E.A.S. vai percebendo aos poucos que humanos tem limitações e percebe que seu conhecimento sobre eles é limitado. E essa falta de conhecimento que ele tem dos humanos deixa a história bem mais interessante. Mas jogar o sanduba no chão é golpe sujo, viu?

Por outro lado, fiquei bastante surpresa com a dificuldade do Cebola em melhorar no jogo porque ele sempre foi bom nisso. Se bem que o B.O.R.E.A.S. não é muito bom em estimular, mas ainda assim eu esperava uma melhora mais significativa no desempenho dele.

Nós começamos a ver que o B.O.R.E.A.S. é capaz de evoluir sozinho quando toma a decisão de ter um corpo humanóide. Foi algo que ele decidiu sozinho, sendo capaz de entender as próprias necessidades. Ele também se mostra capaz de adaptar aos humanos quando aprende a dizer por favor, pois percebe que as pessoas respondem melhor a isso.

Ah, e o desenho que a Mônica fez nele o deixou bem mais simpático, lhe deu mesmo uma expressão.

Sua capacidade de se aprimorar é tão impressionante que ele mesmo acabou fazendo seu próprio corpo com o que tinha no laboratório do Franja (o primeiro ficou muito uó!) e escolheu sua aparência com base no que podia agradar a Mônica. Hummm... sei não! O chato é que ele destruiu os inventos do coitado no meio do caminho. Ain, que dor!

Mas é claro que ser humano não é nada fácil e ele descobriu isso logo nos primeiros passos. Foi preciso que cada um da turma o ensinasse a ser humano, cada um do seu jeito. E ele foi aprendendo tudo usando equações, mas com o tempo ele deve perceber que elas não vão servir para todas as situações.

Só não imaginava que ele fosse capaz de comer e até sentir sabores. Ele realmente caprichou no seu corpo ao tentar imitar várias funções humanas. E se tem alguém nesse mundo que pode ensiná-lo a comer é a Magali. Mas ensinar a parar já é outra história... Só espero que ele não tenha uma dor de barriga robótica.

Quando vi Marina o ensinando a pintar, pensei que o desenho do Mingau fosse sair bem mais realista, fiquei surpresa quando ele fez um gato com caracteres do teclado, mas sem querer ele meio que expôs uma limitação que à princípio pode ser difícil de resolver: a de não ter sentimentos.

E o Franja tentando ensiná-lo que não deve fazer mal aos humanos? Engraçado e meio triste ao mesmo tempo porque no fim das contas, B.O.R.E.A.S. acabou não repetindo o que o Franja falou. Medinho...

Ele até que estava indo bem no seu aprendizado, mas sua falta de sentimentos também se mostra um grande problema. Isso ficou claro quando ele criticou o desenho da Maria Cebolinha. Ele foi duro demais em sua crítica porque não tem sensibilidade para falar com as pessoas, especialmente as crianças. Nós suavizamos porque nos preocupamos com os sentimentos dos outros, temos empatia e o cuidado para não magoar. B.O.R.E.A.S. parece não ter desenvolvido essa parte, por isso a vida humana se mostra bem complicada para ele, que até o momento só tem a parte lógica, mas nenhuma emoção ou sensibilidade.

Talvez seja por isso que robôs possam representar perigo caso fique inteligentes demais, porque somente lógica sem compaixão nenhuma pode ser bem devastador.

Ser humano é bem complicado. Coisas que para nós são naturais e intuitivas exigem muito esforços de um robô que analisa tudo somente pela lógica e equações. O B.O.R.E.A.S. se esforça, mas não consegue realmente ser um humano “eficiente”. O problema é que tudo para ele são formulas e equações. Seres humanos não funcionam assim. Gostamos de dizer que somos seres racionais, mas a verdade é que somos mais emocionais. Somos guiados pela emoção e muitas coisas são inconscientes e nem percebemos que estão lá. Como B.O.R.E.A.S. vai conseguir imitar isso se um robô nem tem subconsciente? Não tem emoções para guiar suas escolhas, nem intuição?

Ah, sim! A intuição! Usar somente a lógica requer uma capacidade enorme para analisar todo e qualquer fator envolvido. Intuição significa decidir algo quando não temos dados suficientes, mas decidimos só com base no que temos e algo interno que nos guia. Um robô pode ter isso?

Interagir com outras pessoas é mais um desafio que B.O.R.E.A.S. parece ter dificuldade. Se até nós tropeçamos nisso...

Só por curiosidade, achei aquela parte em que o B.O.R.E.A.S. transforma as instruções do Cascão em equações bem parecida com um meme que circula por aí de vez em quando: 


A parte em que o robô conversa com o Cebola sobre ser humano foi ótima, porque ele explicou que errar e aprender faz parte. Erramos, aprendemos, evoluímos e tentamos nos superar. É um processo que envolve mais sentimento do que lógica. Afinal, tem gente que erra milhões de vezes e continua fazendo as mesmas coisas. Já outros aprendem mais rápido. Apesar da má vontade inicial, eles estão indo muito bem juntos. O jogo até meio que perdeu toda aquela importância que tinha no início.

Ah, e foi tão fofinho o Cebola falando dos seus erros e de como aprendeu com eles... e a forma como B.O.R.E.A.S. resumiu o progresso dele foi bem bacana: Cebola superou sua programação e se tornou alguém melhor. Basicamente, é assim que evoluímos. Mudamos aquilo que tinha sido programado anteriormente para algo que pode tornar nossas vidas melhores. Não é tão fácil quanto alterar o programa de um computador, mas ainda assim vale muito a pena.

Mas como nem tudo são flores, bastou uma única frase para que tudo desandasse. B.O.R.E.A.S. se esforça para ser humano, mas ainda é um robô e leva as coisas ao pé da letra. Ele não fez nada por mal, apenas reagiu de acordo com sua programação. Ele ainda se preocupa em seguir ordens e foi isso o que fez. É aí que vem o medo de que os robôs superinteligentes se voltem contra a humanidade, como Franja disse.

E como se as surpresas não fossem suficientes, eis que a D.I.N.A.M.I.C.A. resolve dar o ar da graça. Meio chatinhos, arrogantes e metidos a donos da verdade diga-se de passagem, mas vá lá. Gosto quando eles aparecem. O bom mesmo foi a participação da Brisa. Claro que ela não podia ficar de fora, né?

Só fiquei surpresa ao saber que ela é quem tinha criado o B.O.R.E.A.S.. Isso até explica o por que dele ter surtado durante o jogo, pois ele foi criado para lhe ajudar a lutar, mas ficou complexo demais. Então fez todo o sentido ela mandá-lo para o Cebola.

O bom é que, pelo visto, criaram mais um personagem para a TMJ e espero que o B.O.R.E.A.S. apareça mais vezes em outras histórias, nem que seja só uma pontinha. Ele é um personagem bem feito e com bastante potencial porque pode continuar aprendendo e melhorando.

O próximo passo seria ele aprender a ter sentimentos, mas ao que parece, ele deve ter algum rudimento porque foi capaz de se importar com os amigos. Ele podia apenas ter fugido e deixado os agentes da D.I.N.A.M.I.C.A. acabarem com todos, mas se arriscou para protegê-los. Eles bem que mereciam ter levado uma boa surra para deixarem de ser folgados e arrogantes, mas a solução que o B.O.R.E.A.S. deu também foi muito boa.

Confesso que meus sentimentos pela D.I.N.A.M.I.C.A. são bem conflitantes. Por um lado quero que se lasquem. Por outro, quero que continuem nas histórias. Complicado, não?

Só espero que eles não tentem forçar a Brisa a criar outro B.O.R.E.A.S. para servir aos interesses dele. Sabemos que isso não é possível porque a nova criação não vai passar pelas mesmas experiências que o primeiro passou, mas eles podem querer treiná-lo como arma de guerra. Esse pessoal já mostrou que não é confiável e nem sei por que o seu Quinzão os deixa ficar atrás da sua padaria.

Sabe, a parte em que o B.O.R.E.A.S. se regenera e conserta a si mesmo me lembrou de um filme que gosto muito, chamado Wall-e. Vocês já devem ter assistido ou ouvido falar. Wall-e é um robozinho criado para limpar a Terra, que estava muito poluída, mas com o tempo ele adquire consciência e aprende a se consertar sozinho sem a ajuda de humanos. Graças a isso, ele conseguiu sobreviver ao longo dos anos enquanto outros robôs semelhantes foram pifando por falta de manutenção. A diferença entre Wall-e e B.O.R.E.A.S.  é que ele tem sentimentos, consegue admirar a beleza das coisas, sentir medo, empatia e até se apaixonar.

Tudo isso é bem impressionante considerando que seu cérebro eletrônico é bem mais simples que o do B.O.R.E.A.S.. Por isso eu aguardo ansiosamente uma história onde ele aprende a ter sentimentos.

Inteligência artificial é um assunto bem interessante, embora eu pessoalmente não acredite que robôs sejam capazes de se tornarem humanos. A não ser, como Magali falou em determinado ponto, que eles possam adquirir uma alma.

Eu sou meio que espiritualista, acredito que todos temos alma e que é dela de onde vem tudo aquilo que somos: nossa inteligência, sentimentos, capacidade de pensar e tomar decisões. As pessoas acham que tudo isso vem do cérebro e que por isso seria possível criar um robô tão inteligente quanto um ser humano. Mas se for mesmo verdade que nossa humanidade venha de algo a mais, que não pode ser manipulado pela ciência, então não tem como criar robôs inteligentes como nós.

Por outro lado, se por acaso for possível um robô ter alma... aí eu não sei, é algo difícil de opinar porque não tenho nem conhecimento para isso.

Eu gostei bastante da história, muito bem escrita e com muitas surpresas. E tudo ficou melhor ainda com o desenho da Roberta Pares, que deu mais expressividade aos rostos da turma. As caras tristes, zangadas, de medo, etc. ficam muito melhores quando ela desenha (especialmente os chibis). Parece que dá mais dinamismo a história, percebemos melhor os movimentos. Os personagens não parecem só coisas estáticas no papel. E gente, o B.O.R.E.A.S. ficou mesmo uma graça, não ficou? Por um instante até pensei que ele podia ser um namorado para a Brisa, mas agora fica meio difícil porque ele foi criado por ela, então acho que está mais para filho. Melhor assim, pelo menos fugiu do clichê que seria formar um casal com os dois.

Mesmo não tendo emoções, as expressões dele ficaram muito boas, especialmente na hora de comer. Eu também costumo fazer essa cara quando tenho meus ataques de comilança.

Essa foi a crítica. Meldels, como escrevi! Faz tempo que não escrevo uma crítica tão longa. É que a história foi tão boa, então não deu para escrever tudo em poucas linhas. Espero que vocês se animem a ler tudo.







sexta-feira, 13 de abril de 2018

CBM#36: Chico e o Lobisomem - Críticas

18:06 0 Comentários



Oi, gente. Olha eu aqui de novo com outra crítica. E nessa edição, parece que o bicho vai pegar literalmente.

A história é contada naquele clima de cidade do interior, onde as pessoas se reúnem no bar local e vão contando seus “causos”. Parece que um lobisomem anda pela região assustando as pessoas, mas Chico não se importa muito pois já está acostumado com essas coisas. Só que tudo complica quando ele descobre que o bicho está interessado demais na Rosinha para o gosto dele.

É uma história simples, onde todos tentam encontrar e capturar o lobisomem e descobrir por que ele vai atrás da Rosinha. No início suspeitaram do Genesinho e até eu cheguei a acreditar, mas no fim era o Chico mesmo. Engraçado que nunca ouvi falar de lobisomem da lua azul.

Foi uma história legal, quase um terror leve. Criaram um bom mistério, não deu para ver logo de cara que o Chico era o lobisomem apesar de ter surgido uma pontinha de desconfiança quando ele atacou as goiabas do nhô Lau.

E teve outras passagens engraçadas como o nhô Lau tentando esconder no galinheiro e falando “abre a porta, Mariquinha”. Acho que nem todos vão entender a referência. E também foi engraçado quando o lobisomem atacou o entregador de pizza. Dependendo da minha fome, eu teria feito o mesmo.

Gostei da história porque criaram um clima que é ao mesmo tempo sombrio, lembrando aqueles filmes de terror que se passam em cidadezinhas pequenas e também foi engraçado em várias partes, especialmente por conta da participação do Zé Lelé.

Foi legal ver outros personagens como o seu Genésio querendo matar o lobisomem e depois ficando chocado com a chance dele ser seu próprio filho.

Agora, tem umas coisinhas que não se encaixaram bem. Uma delas foi a aparição da Oncivarda sendo que ela tinha sido levada embora na ed. 32. Será que ela fugiu, foi devolvida ou foi só furo de roteiro? Outra coisa é a vó Dita falar que a lua azul ocorre a cada dois anos, mas que o Chico só ia virar lobisomem uma vez e depois nunca mais. Ué, se ele é lobisomem da lua azul, que acontece a cada dois anos, então ele tem que virar lobisomem a cada dois anos, certo? Também não fez sentido.

De qualquer forma, eu gosto quando o Chico volta para a Vila Abobrinha. Deve ser porque eu também me sentiria mais segura estando em casa.

E o Chico curtindo um momento romântico com a Rosinha também foi lindo de se ver, gosto quando os dois aparecem juntos.

O final foi bem engraçado por causa da aparição do Saci, que ainda gosta de fazer lá suas travessuras com os garotos, embora não seja por maldade e ele tenha afeição por todos.

Essa foi a crítica. Confesso que nas histórias do Chico eu não escrevo tanto quanto nas da TMJ, não sei por que. Acho que é por não ter assim muitas coisas para falar. Mas espero que tenham gostado e aguardem a próxima!

quinta-feira, 12 de abril de 2018

TMJ#10 - As sete pragas do Limoeiro: Críticas

19:51 0 Comentários


Oi, gente. Hoje vou fazer a crítica da TMJ 110. O bom é que eu ainda não tinha lido essa história. Não consegui ler essa edição sem antes ter feito a crítica das histórias anteriores.

Nessa ed, o bairro foi assolado por algumas pragas que aparentemente pareciam desastres naturais, mas que ganharam ares de maldição. E logo de cara vemos um novo personagem se apresentando.

Quando vi o novo professor se apresentando dizendo que ia dar aulas de ciências, logo pensei na Magali. Meldels, vai dar ruim com certeza! Eu não sabia que ela ainda tinha essa queda pelo prof. Rubens.

Rapaz, ela até teve um piripaque quando soube que o professor não ia voltar mais! Com direito a choro e tudo! Mas confesso que acho um tanto exagerado esse crush que a Magali tem pelo professor.

Engraçado esse termo... antes era amor platônico, agora é crush. Um tanto esquisito, mas vá lá. De qualquer forma, eu acho meio estranho uma pessoa gostar de outra que mal nota sua existência. Mas não a critico Magali por gostar de outra pessoa porque isso a gente não controla. Contanto que ela não traia o Quim, tranquilo.

Se bem que para muita gente, o simples fato dela gostar de outro já pode ser visto como traição, mas é bem complicado porque não podemos controlar os sentimentos de ninguém. É chato saber que o namorado/namorada gosta de outra pessoa, não nego, mas acho que o casal precisa ter maturidade para lidar com isso (coisa que a grande maioria não tem, diga-se de passagem).

De qualquer forma, ela deveria ser mais cuidadosa para não ferir os sentimentos do Quim. Ele não merece isso.

Outra passagem engraçada foi o “ciuminho” do Cebola. Isso mostra como essa situação não é fácil de lidar. Quer dizer, ele não ia gostar nem um pouco se soubesse que ela anda tendo um crush por outro rapaz. Mas felizmente esse parece não ser o caso.

E mais uma vez temos Denise fazendo fofocas e espalhando boatos sem prova nenhuma. Pelo visto ela ainda não percebeu o estrago que pode fazer na vida das pessoas. Tudo bem que foi o Licurgo quem lhe deu essas informações e ele é diretor do colégio, mas mesmo assim ela não deveria ter passado o assunto para frente sem ter provas concretas. O mais chato é que todo mundo fica julgando sem ter base nenhuma. Na vida real, pessoas já morreram por causa de boatos espalhados sem prova, é por isso que não concordo que a revista coloque isso como se fosse algo engraçado porque não é.

Continuando, foi engraçada a parte onde todo mundo começa a sentir aquele cheiro ruim e logo apontam para o coitado do Cascão. Parece que até hoje ninguém acredita que ele toma banho. Às vezes nem eu...

Mas dessa vez o cheiro não foi culpa do Cascão e sim do aterro sanitário da cidade que pareceu ter saído do controle. É o que acontece quando as pessoas produzem lixo sem consciência nenhuma. Agora aguentem o fedor.

Culpar o Capitão Feio em uma situação dessas é bem compreensível, mas parece que fazer um lixão fedorento está bem abaixo das ambições dele. E interessante que agora o Cascão o chama de tio com grande naturalidade, como se estivesse falando apenas de um membro da família e não de um vilão maluco que veio preparar o mundo para a volta da serpente. Agora ele é o tio Feio.

Mas cá entre nós... só eu fiquei achando esse novo professor meio suspeito? Toda vez que a turma está falando de algo, ele meio que aparece no meio da conversa.
 
Tudo parece normal quando aparece aquela chuva de gafanhotos. Se vocês soubessem o estrago que esse bicho faz nas plantações...

A história tem uma mensagem ecológica sobre preservação, reciclagem e uso consciente dos recursos naturais. Cada praga que atingia o Limoeiro era um fenômeno causado pelo abuso que as pessoas cometiam contra o meio ambiente. E foi criativo associar os acontecimentos do bairro com as pragas do Egito na versão moderna. Só por curiosidade, as pragas do Egito são:

  1. Toda a água do Egito virou sangue, contaminando os rios e matando os peixes.
  2. Infestação de rãs.
  3. Piolhos para todo mundo.
  4. Moscas o suficiente para escurecer o céu.
  5. Morte dos animais.
  6. Pústulas (úlceras bem feias) cobrem homens e animais.
  7. Chuva de granizo que destruiu plantações.
  8. Nuvem de gafanhotos (a única que coincidiu com a da história).
  9. Escuridão por três dias.
  10. Morte dos primogênitos de homens e animais.

Eu lembro de ter visto um documentário explicando essas pragas e pelo que falaram, foi na verdade uma série de desastres ecológicos em sequência. Cientistas acreditam que naquela época ocorreu uma seca brava que causou a proliferação de uma alga no Nilo que tinha o aspecto avermelhado e intoxicou as águas, matando os peixes.

Sem os peixes para controlar a população de girinos, rãs e sapos se multiplicaram sem controle nenhum. Mas com o rio envenenado, o ciclo reprodutivo desses animais ficou prejudicado e após uma explosão demográfica, a quantidade caiu drasticamente. Daí surgiram os piolhos e as moscas.

Com a infestação de moscas e piolhos, os animais sofreram e acabaram morrendo. Há um tipo chamado mosca dos estábulos que pica os mamíferos para sugar sangue e deixa feridas, que acabam infeccionando. Daí vem a sexta praga.

Pesquisadores dizem que nessa mesma época houve a erupção de um vulcão chamado Thera que lançou toneladas de cinzas na atmosfera. Essas cinzas causaram tempestades de granito. Com tantas alterações climáticas, o comportamento dos gafanhotos também acabou mudando. A erupção aumentou a temperatura e obrigou os gafanhotos a migrarem. Já a escuridão deve ter sido causada pelas cinzas do vulcão que cobriram o céu.

E na a morte dos primogênitos pode ter acontecido pelo seguinte: tantas pragas podem ter contaminado os alimentos nos celeiros com um tipo de fungo altamente tóxico. Naquela sociedade, os primogênitos tinham mais prioridade na hora de comer. Isso valia para pessoas e animais. Como a higiene daquela época não era muito boa, eles acabaram morrendo.

Bem, eu só falei sobre essas pragas do Egito porque é interessante mostrar como um evento pode desencadear uma série de outros e causar uma grande tragédia para um povo. No caso da história, esses eventos foram isolados (o que achei uma pena, teria sido mais interessante se um causasse o outro em série). Mas ainda assim foi legal porque não são eventos sobrenaturais, são tragédias ecológicas causadas pelos abusos das pessoas.

O desenvolvimento da história foi bom, mas achei que o Cebola descobriu fácil demais a origem das transmissões. Não sei se o fato de conhecer bem o bairro serve como justificativa. Mas é história, né... não dava para complicar muito.

E o fato do prof. Ragu ser o verdadeiro culpado, imagino que a maioria dos leitores já deve ter sacado logo de cara. Um tanto previsível, o que foi uma pena. Confesso que cheguei a torcer para que o prof. Rubens fosse mesmo culpado. Isso sim teria sido uma surpresa daquelas e também um choque para a Magali, que acreditou tanto nele. Teria dado mais dramaticidade a história. Mas creio que não era esse o objetivo e sim passar a mensagem sobre proteção do meio ambiente.

Agora, o que eu achei vacilo foi ninguém ter partido para cima do prof. Ragu para imobilizá-lo. Enquanto o Cebola o estava distraindo, a Mônica podia ter chegado por trás e dado um jeito de segurá-lo. Com a força que tem, ela não ia ter dificuldade nenhuma. Ele não estava armado e não aparentava ser perigoso.

Ou então ela podia ter dado um bom chute para quebrar um dos freios de pouso do avião. Só com isso, ele não teria conseguido decolar nunca. Depois bastava imobilizá-lo. Mesmo que tentasse sair correndo, ele não ia conseguir correr mais que os quatro, especialmente o Cascão.

E também fiquei me perguntando... como a Mônica conseguiu arrastar um avião para o meio da pista sem que ele percebesse? Não era para ter feito barulho? O mais engraçado foi ele não ter ouvido a Mônica arrastar o avião, mas ouviu quando Magali e Cascão o chamaram para mostrar que o tanque de pesticida tinha sido removido. Pelo formato dos balões, eles não estavam gritando.

Tá, tá... sei que estou sendo chata. Afinal, se fizesse do meu jeito não ia ter graça nenhuma. Nem sempre a solução mais óbvia é a mais legal, certo? Apesar dessa crítica, gostei do jeito como eles fizeram as coisas. E o fato dele ter conseguido escapar dá abertura para outras histórias no futuro. Quem sabe ele não volta? A TMJ anda mesmo precisando de novos vilões.

Se bem que o prof. Ragu não era má pessoa. Ele só queria fazer a coisa certa, mas do jeito errado. Quer dizer, o melhor jeito de conscientizar as pessoas sobre a conservação do meio ambiente não é exatamente destruir tudo, né? Mas pelo menos ele conseguiu deixar sua mensagem. Até Denise foi capaz de entender e de usar sua influencia para o bem ao invés de destruir a vida dos outros.

O bom foi que o prof. Rubens voltou, pois tudo foi esclarecido. Foi até legal ver o relato dele do que tinha acontecido após perder o emprego. Só fico pensando como ele conseguiu escapar usando só um sanduíche de atum. Foi legal ver um pouco mais de destaque ser dado a um personagem secundário e adulto. E a Magali se derretendo toda para ele foi impagável. Olha o assanhamento, menina!

Eu teria apreciado mais um pedido de desculpas da Denise, ou pelo menos algum sinal de arrependimento, pois foi ela quem saiu espalhando a suspeita de que ele poderia estar causando aqueles desastres. Mas enfim... pode ser que algum dia no futuro isso aconteça.

Eu gostei da história, achei legal o tema ecológico e da mensagem que tentaram passar. Não me importo quando a história tenta educar também. Só acho que seria legal se abordassem outros temas além de ecologia. Mas sei que a MSP não quer se envolver em polêmicas.

Também gostei da capa, especialmente das roupas da Mônica e a expressão da Magali. E o fundo ficou muito bem feito, com uma paisagem de destruição e caos ao invés de somente um fundo colorido com gradiente. Só senti falta do Cascão, não é a primeira vez que ele é excluído da capa. E ele participou da história, gente! Não ficou só no canto do quadrinho cutucando o nariz não!

A segunda capa também ficou muito bonita, mas acho que tropeçaram um pouco na expressão da Magali. Parece que ela ficou tipo “tá rolando uma tragédia no bairro? Ah, tá. Que coisa.”.

Mas o desenho da Magali na segunda capa... acho que podia ter sido melhor. Os cabelos ficaram estranhos. Sem o rabo de cavalo, ficou parecido com o da Irene. E a roupa, gente! Quem anda na rua com esse tipo de roupa? Essas mangas bufantes ficaram muito exageradas e aquela coisa na cintura dela é bem estranha. Não me entendam mal, o desenho ficou bonito sim, mas confesso que a roupa podia ter sido um pouco mais, sei lá, algo que uma pessoa comum usaria.

Já as roupas da Denise na terceira capa até que ficaram boas, algo bem a cara dela.

Essa foi a crítica da TMJ 10. Tenho andado mais inspirada a escrever e até publiquei outras coisas no blog também. Acho que vou conseguir colocar as ed. da TMJ e CBM em dia. Até mais, pessoal!

CBM#35: Social Game - Críticas

11:57 0 Comentários


A crítica de hoje é sobre a ed. 35 do Chico Moço. Parece que ele finalmente cedeu aos encantos dos jogos digitais e se envolveu muito em um jogo que é bem a sua cara: cuidar de terras e plantações, vencer pragas, etc.

Chico não é do tipo jogador, mas ele acabou gostando do jogo e até se dando muito bem nele, tanto que atraiu uma legião de fãs e até passou a ganhar dinheiro para jogar, fazer testes e atrair mais fãs ainda.

A história foi boa, na média. A melhor parte foi ver os pais desesperados ao saber que o filho estava “ganhando dinheiro no jogo”.


Eu nunca fui muito de jogos online. Às vezes jogo o Amor Doce e só. Sei lá, tomam muito tempo e não rendem nada. Acho que não tenho paciência mesmo.

O desenvolvimento da história foi bom e natural ao meu ver. Mostrou que não há nada de errado em gostar de jogos contanto que a pessoa não deixe de viver sua vida por causa disso. Foi meio difícil para o Chico se sentir atraído para o jogo porque é tudo virtual. Apesar de ser algo que trabalha com a terra, nada era feito manualmente, não despertava nele a mesma satisfação que mexer na terra lhe trazia.

Como cresceu sem vídeo-game e outras modernidades, o Chico não dava muita importância e preferia coisas mais práticas, como interagir com o mundo real ao invés de ficar com a cara colada no computador. Mas interagir virtualmente também é bom, contanto que as pessoas não fiquem só nisso.

Aos poucos ele foi aprendendo a gostar do jogo, atraiu fãs e ficou famoso na internet. E ele estava até ganhando dinheiro e ajudando seus pais, o que era melhor ainda. Mas com o tempo ele foi percebendo que as pessoas estavam deixando de viver só para ficar em função do jogo.

A atitude dele de deixar tudo terminar foi bem rebelde e surpreendente. Diria que foi muito corajosa porque se tratava do seu ganha pão. Ele teve que ser forte para não se deixar levar pela opinião dos outros para passar a sua mensagem.

O bom é que as pessoas entenderam sua mensagem e não houve uma rebelião geral contra ele por ter deixado tudo se acabar.

Mas tudo terminou bem porque a dona do jogo entendeu  e lançou outra versão do jogo que controlava o tempo em que a pessoa ficava online, o que era bom pois impedia o jogador de se exceder e ficar só no jogo.

E o Chico seguiu sua vida, preferindo ficar no real mesmo. Mas ele não abandonou a internet de todo, pois resolveu virar youtuber ensinando a mexer com a terra. Seria bom se desenvolvessem mais isso no futuro, quem sabe transformar em algo rentável para ele.

A história foi legal, os cenários do jogo ficaram muito bons pois conseguiram criar um ambiente virtual bem bacana para os jogadores. Gostei das versões tecnológicas das ferramentas, do fazendeiro e até do gafanhoto destruidor de mundos. E gostei que a dona do jogo não fosse uma criatura gananciosa que só pensa em ganhar dinheiro acima de tudo, mas alguém preocupada com o bem estar dos jogadores também. Pelo menos fugiram do clichê empresário/olho grande/fominha/ganancioso.

Ah, e vocês repararam na participação especial do Xaveco? Bem, pelo menos o cabelo parece bastante, não é? 


Espero que tenham gostado da crítica. Daqui a pouco tem mais!