Cinderela às avessas - capítulo 33: E volta a usar sapatos de cristal ~ TMJ do meu jeitoTMJ do Meu Jeito

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Cinderela às avessas - capítulo 33: E volta a usar sapatos de cristal

É isso aí, penúltimo capítulo! Amanhã a história termina.

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E volta a usar sapatos de cristal


Cascuda também mal podia acreditar. Será que as coisas tinham voltado ao normal? Como? De que jeito?

Os dois se entreolharam e depois olharam Carmem.

- Claro que te conhecemos, meu bem! Ah, já sei! Você está muito emocionada, não é? Foi uma noite agitada!

Mais do que depressa, Carmem saiu daquele estado de choque e abraçou os dois chorando como criança pequena.

- Achei que nunca mais fosse ver vocês dois de novo!

Seu pai achou que ela estava com medo das ameaças dos farsantes e tentou acalmá-la.

- Não precisa ter medo das ameaças daqueles dois! Vou garantir que acabem na cadeia e não saiam tão cedo! – seu pai prometeu. Ninguém ameaçava sua filhinha e saía impune.
- Agora vamos, querida. Precisamos descansar.
- Mãe, pai... eu amo vocês, de verdade!

Eles ficaram meio sem jeito com tanta demonstração de afeto.

- Nós também te amamos, querida! Ei, calma! Tudo vai ficar bem agora!
- Eu vou chamar o chofer para que ele pegue nosso carro.

De longe, Rafael fez sinal para Cascuda chamando-a para ir embora.

- Meu primo tá chamando. Ele vai dar uma carona pra gente. Bom que tudo voltou ao normal, estou muito aliviada!
- Ai meu santo, nem consigo acreditar! Mas como isso aconteceu? Eu não pedi!
- Vai ver a estrela resolveu te dar um bônus! Bom, deixa eu ir senão minha mãe me xinga. Agora que você vai voltar pra sua casa, poderemos nos encontrar na escola quando as aulas começarem! 
- É mesmo! Acredita que eu tava com saudade até da escola?
- Hunf! E eu espero que você tenha aprendido a lição e se torne uma pessoa mais humilde! Que essa experiência tenha lhe ensinado a ser menos esnobe, tratar melhor as pessoas e... brincadeirinha! Hahaha, devia ter visto sua cara!
- Ai, você me assustou sua chata!
- Era pra assustar mesmo, sua fresca!

Elas se despediram e Cascuda foi embora com seu primo feliz por tudo ter dado certo. Antes de ir encontrar seus pais, outra pessoa familiar lhe chamou a atenção.

- Vejo que todo voltou a ser como era antes. Está feliz?
- Claro! Agora tenho meus pais de volta!
- Hum... só pelos seus pais?

Carmem deu um sorriso meio sem jeito.

- Ah, quem eu tô querendo enganar? Claro que tô feliz de estar rica de novo! Não agüentava mais essa vida de empregada doméstica! Mas sabe, estou mais feliz ainda por voltar pra casa e ficar com meus pais. E não vou mais ter que usar aquela roupinha horrenda de empregada!

Creuzodete virou os olhos. Uma vez patricinha, sempre patricinha.

- Espero que você tenha aprendido alguma coisa com essa experiência.
- Eu não enfiei minha mão dentro da privada a toa, né? Só não entendi como foi que isso aconteceu! Eu não pedi nada disso pra estrela.
- Você não, mas outra pessoa pediu.
- Quem? A Cascuda? Não lembro de ela ter feito esse pedido!
- Lembra do que ela pediu?

Ela pensou um pouco e logo veio a resposta:

“Que tudo dê certo pra todos nessa noite e as coisas se resolvam da melhor forma possível”

- Ainda não entendi...
- Você pediu que os desejos de todos se realizassem. Então o desejo da sua amiga foi realizado e tudo se resolveu da melhor forma possível. E ao que parece, a melhor alternativa foi não só ajudar seus amigos e prender aqueles vigaristas, como também lhe devolver sua família.
- M-mas...
- Lembre-se: a estrela não dá somente o que a pessoa deseja. Também dá o que ela precisa e merece. Parece que você fez por merecer.

A moça deu alguns gritinhos estridentes, pulou de alegria várias vezes, bateu palmas e até abraçou Creuzodete na cintura, deixando a vidente totalmente sem jeito.

- Não acredito, isso é bom demais! Eu tô tão feliz! Graças a Cascuda, tudo se resolveu e... e... – seu rosto ficou triste de repente. – Mas aí ela gastou o desejo dela! E não vai ganhar nada!
- Ela pediu o que estava em seu coração e isso é suficiente. E quem disse que ela não vai ganhar nada?
- O que ela vai ganhar?
- Não vai ter que te agüentar no quarto dela por vários dias!
- Grrrr! Como é que é?

Creuzodete deu uma risada com a cara que Carmem tinha feito e depois falou.

- Muito bem, garota. Você acabou de receber uma segunda chance. Não desperdice ou da próxima vez será bem pior.
- Tem como piorar? Cruz credo!

A vidente se afastou e Carmem correu até seus pais que lhe esperavam. Ela se acomodou gostosamente no banco macio do carro e foi olhando a paisagem a medida que o veiculo corria. Um grande suspiro de alívio escapou dos seus lábios. O pesadelo tinha terminado, finalmente. Ela ia voltar para casa, dormir no seu lindo quarto e ter a boa vida que sempre teve. Aqueles dois vigaristas iam para a cadeia e nunca mais aplicariam golpes novamente. Sem falar que seus amigos Cassandra, Marlene e Rafael estavam com a vida encaminhada e prestes realizar seus sonhos. Tudo estava perfeito.

- Sabe, querida, eu sei que você deve estar zangada por termos devolvido suas roupas.
- Aquelas do desfile? Ah, não tem problema! Meu armário tá lotado mesmo.

Sua mãe se surpreendeu e continuou.

- Em março terá um desfile em Milão. Se você quiser, pode vir comigo e quem sabe não compramos umas coisas lindas para você?

A moça deu um grande sorriso, mas depois de pensar um pouco balançou negativamente a cabeça.

- Tudo bem, mamy. Não preciso de mais roupas.

Seus pais ficaram de boca aberta, pois nunca imaginavam que iam ouvir essas palavras algum dia.

- Acho que quero fazer algum curso bacana. Informática, inglês, essas coisas. Quero fazer algo de útil. Quem sabe não arrumo um emprego?
- Minha filha não precisa trabalhar! – Sr. Frufru protestou.
- Não preciso, mas acho que quero. E pense no seguinte, papi: cada hora trabalhando ou estudando é uma hora a menos no shopping gastando dinheiro!

O homem tossiu algumas vezes, pigarreou e por fim acabou concordando. Contra fatos não havia argumentos.

Quando o carro chegou a mansão dos Frufrus, Carmem olhou para sua casa sentindo o coração cheio de alegria. Tudo estava como sempre esteve, inclusive seu quarto. Mesmo sendo tarde, ela resolveu tomar um bom banho de banheira e preparou tudo sozinha, sem chamar a empregada. Ela era capaz de cuidar das suas coisas por conta própria e aquelas pessoas não estavam ali para serem usadas.

- Hum... sais de banho! Ai que luxo! – ela mergulhou na banheira e tomou um longo banho. Depois vestiu uma das suas camisolas confortáveis.

Pela janela, ela via as estrelas brilhando no céu e resolveu dar uma olhada. Que noite bonita! As estrelas cintilavam aqui e ali e Carmem observava atentamente. Não, daquela vez a estrela dos desejos não voltou a aparecer. Talvez porque ela não precisasse mais. Melhor assim. Ela apenas queria poder viver sua vida, aproveitando um dia de cada vez.

Como estava com muito sono, ela se acomodou debaixo das cobertas e adormeceu profundamente. Foi o melhor sono de sua vida.

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