Cinderela às avessas - capítulo 12: Por um instante, ela se enche de esperança ~ TMJ do meu jeitoTMJ do Meu Jeito

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Cinderela às avessas - capítulo 12: Por um instante, ela se enche de esperança

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Por um instante, ela se enche de esperança

O casal tomava uma xícara de café enquanto lia os folhetos da instituição Criança Feliz. E aquelas crianças pareciam mesmo felizes. Todas sorridentes, bem vestidas, penteadas e na escola. Tratava-se de uma instituição que tirava crianças ruas para lhes dar um futuro decente.

- Veja, querida! Aqui diz que eles têm creche, escola e até posto de saúde!
- Também tem oficina de arte. Olhe esses trabalhinhos, que coisa fofa! Eles estão fazendo um excelente trabalho!

Sr. e Sra. Frufru olhavam os folhetos que o casal Aguiar tinha lhes enviado com um convite para jantar e estudar a proposta de organizarem uma linda festa para angariar fundos e ajudar a instituição. Eles planejavam dar a festa no fim de janeiro e assim não atrapalhar quem tivesse compromissos no natal e ano novo. Parecia uma idéia muito boa.

- Se é por uma boa causa, acho que devemos ajudar. Às vezes fico triste por não termos filhos. Uma criança em casa faz tanta falta! – ela suspirou com um olhar distante.
- Sei disso. Parece que falta alguma coisa. – ele murmurou para si mesmo. – Bem, hora de fazer nossa parte! Vamos participar dessa festa sim e avisar nossos amigos!
- Que bom! Se tudo der certo, eles vão conseguir arrecadar muito dinheiro para ajudar as criancinhas! Quando será o jantar?
- Depois de amanhã. Não podemos recusar.

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- Grrrr! Era só o que faltava! – Cascuda bradou ao chegar na tenda da Madame Creuzodete só para ver um aviso de que ela tinha viajado e não tinha data certa para voltar. – Aposto que ela sabe de alguma coisa e fugiu pra não me dar nenhuma resposta. E agora, o que eu faço?

Ela fez o caminho de volta tentando pensar no que fazer. Talvez falar com o Franja? Essas alterações no espaço-tempo eram especialidade dele.

- É isso mesmo que eu vou fazer! Que boa idéia! – ela discou o numero do Franja e caiu na caixa de mensagens.

“Aqui é o Franja. No momento, estou numa viagem organizada pelo museu e devo voltar no dia vinte de dezembro. Deixe seu recado após o sinal que eu retornarei.”

Antes que o sinal fosse dado, ela desligou o celular frustrada. Com quem mais daria para falar? Ao lembrar de que Carmem tinha dito qualquer coisa sobre estrela mágica, imediatamente ela pensou no Nimbus e correu até a casa dele.

- Estrela que realiza desejos? Achei que fosse só lenda. – ele respondeu após ouvir as explicações da amiga.
- Então você não sabe nada a respeito?
- A Ramona deve saber. – DC falou batendo no ar com suas baquetas e ouvindo música nos fones de ouvido. – Ela manja de cada coisa maneira!
- Como sabe disso? – Nimbus perguntou encarando-o.
- Eu sempre jogo xadrez com ela e a gente conversa muito, ué!
- Ah, é? Pois não quero mais saber de você andando por aí com ela não, que folga é essa? Achei que gostasse da Mônica!
- Não quer que eu ande com ela? Pois agora sim eu não desgrudo mais!
- Grrrr! Seu folgado!

Foi com muito custo que ela conseguiu interromper a discussão temporariamente para pegar o telefone da Ramona.

- Alô?
- Ramona? Aqui quem fala é Cascuda, amiga da Mônica. Não sei se você lembra de mim...
- Claro que eu lembro!

Ela explicou seu problema rapidamente enquanto a outra ouvia respondendo apenas com monossílabos. No fim, a bruxinha respondeu.

- Acho que é melhor conversar pessoalmente, mas hoje não vai dar porque minha mãe tá pegando no meu pé. Dá pra ser domingo? Eu posso ir até sua casa.
- Claro que sim, muito obrigada! Vou te dar o endereço!

Tudo combinado, ela desligou o telefone e telefonou para seu primo pedindo para que ele levasse Carmem até sua casa quando fosse visitá-la. Ele concordou sem problemas e ela se sentiu melhor ao ver que as coisas estavam indo bem. Faltava apenas torcer para que Ramona pudesse dar uma solução para aquele problema.

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Carmem e Cassandra tiveram trabalho para limpar tudo e deixar ao gosto exigente da patroa. Rebeca acompanhava o serviço como se fosse um feitor de escravos, dando ordens e recriminando por qualquer erro. Só faltava o chicote na mão.

- Hoje teremos um jantar muito importante, então tudo deve estar perfeito! Se alguma coisa der errada, vocês estarão despedidas!

Carmem corria de um lado para outro tentando fazer o melhor possível. Quais seriam os convidados importantes para o jantar daquela noite? Ela até tinha ficado curiosa, mas não teve coragem para perguntar. O jeito foi trabalhar e manter a boca fechada.

Marlene tinha sido encarregada de fazer um jantar refinado com ingredientes caros e de primeira qualidade. Quando o serviço da sala foi terminado, Rebeca chamou Carmem a parte.

- Seu outro uniforme está limpo?
- S-sim senhora.
- Ótimo. Hoje vou dar permissão para você tomar outro banho, troque de roupa e arrume bem esse cabelo. Você irá servir a mesa e não quero que meus convidados se assustem com uma empregada suja e mal vestida. Cassandra irá ajudar Marlene no jantar hoje.

Carmem tremeu de medo com o olhar de pura raiva que a colega tinha lhe jogado quando foi para a cozinha.

- E a Carmem? – Marlene perguntou.
- Foi tomar um banho e se arrumar para receber os convidados enquanto eu tenho que fazer o serviço daquela preguiçosa!
- Não fale assim! Você sabe muito bem que ela só está seguindo ordens da patroa.
- Claro, a empregada branca e bonitinha sempre tem tratamento diferenciado.

Marlene parou um pouco o que estava fazendo e falou em tom de reprimenda.

- Você sabe que ela não tem privilégio nenhum aqui, muito pelo contrário! Ela come o mesmo que comemos, vive nas mesmas condições, leva bronca todos os dias e até dorme no chão para que você fique com a cama!
- Mas pode servir as visitas e...
- Por acaso isso traz algo de bom para ela? Aumenta o salário? Melhora o tratamento que ela recebe?

Como não pode responder nenhuma daquelas perguntas, Cassandra voltou ao serviço mais irritada ainda. Marlene nunca ia entender suas razões e ela mesma tinha vergonha de admitir que só implicava com Carmem por ciúme de Rafael.

Quando terminou o banho e se trocou, Rebeca foi conferir se tudo estava bem.

- Hum... tem uma mecha solta na parte de trás, arrume esse cabelo direito! E esses sapatos não estão bem polidos, quer me fazer passar vergonha? Os Frufrus são muito importantes e quero que sejam muito bem servidos.

Por um instante, ela ficou paralisada. Os Frufrus? Seus pais? Eles eram os tais convidados de honra? Seu estômago se revirava de ansiedade e ela nem ouvia mais o falatório incessante da patroa.

O que seus pais iam fazer naquela casa? Era mesmo um jantar de negócios ou só queriam ver como ela estava se arranjando? Será que estavam ali para buscá-la?

- Preste atenção sua retardada ignorante! Quando for servir a mesa, não dirija a palavra a ninguém, entendeu? Se der um pio, vai ver só uma coisa! Cada um que fique no seu lugar!

Assim que foi dispensada, ela correu até a cozinha para tomar um copo de água e se acalmar. Pensar que seus pais estavam ali para buscá-la lhe encheu de emoção. Finalmente seu castigo estava chegando ao fim!

“Puxa vida, e eu quase acreditei nessa história furada de estrela. Finalmente vou poder ir pra casa e ter minha boa vida de sempre! Mal posso esperar!”

Quando a campainha da casa tocou, Carmem ficou de ir atendê-los seguindo as instruções de Rebeca. E ela resolveu entrar no jogo e seguir tudo a risca. Era bem provável que seus pais estivessem ali para testá-la e ver se tinha aprendido a lição. Logo, ela precisava mostrar que estava trabalhando direito e tinha mudado. Só assim para acabar com o seu tormento.

- Boa noite, Sr. e Sra. Frufru. Queiram entrar, por favor. O Sr. e Sra. Aguiar estão esperando.

O casal levou um susto quando reconheceu aquela garota maluca que tinha invadido sua casa. Mas como ela parecia estar calma e equilibrada, eles não falaram nada e foram introduzidos a luxuosa sala onde o casal Aguiar os esperava. Os quatro foram conversar enquanto esperavam o jantar e Carmem foi para a cozinha tentando conter a ansiedade.

- Fez tudo direito? – Marlene perguntou.
- Sim, não teve nenhum problema.
- Ótimo. Continue assim e seu emprego estará salvo.

Carmem apenas sorriu e não falou nada. Bobagem querer salvar aquele emprego! Dentro de pouco tempo, ela estaria indo embora junto com seus pais para nunca mais voltar aquele lugar terrível. Aquela idiota da Cassandra que continuasse naquele quartinho espremido, pois ela ia voltar ao seu lindo quarto e viver como uma princesa.

Em seus devaneios, Carmem até se imaginava voltando aquela mansão um dia junto com seus pais e recebida como convidada. Ah, como ela ia adorar ver a cara da Cassandra quando lhe visse linda, bem arrumada e sendo tratada com todo respeito! Era a vingança perfeita!

“Aquela ali vai ver só uma coisa! Vou pisar nela sem dó!”

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