Cinderela às avessas - capítulo 16: Com todos oprimidos pela madrasta cruel ~ TMJ do meu jeitoTMJ do Meu Jeito

domingo, 19 de janeiro de 2014

Cinderela às avessas - capítulo 16: Com todos oprimidos pela madrasta cruel

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Com todos oprimidos pela madrasta cruel


Marlene, Cassandra e Rafael logo ficaram preocupados. Mudanças nunca eram para melhor.

- O Sr. Aguiar está muito preocupado com os gastos. Não sei o que vocês andam fazendo, mas estão gastando muita água e luz desnecessariamente! Primeiro, os banhos não poderão levar mais que cinco minutos para cada um.

Carmem abriu a boca sem produzir nenhum som. Era mesmo possível alguém tomar banho em cinco minutos? Ela não era o Cascão!

- Nós colocamos um aparelho temporizador no chuveiro. Vocês têm direito a cinco minutos de torneira aberta. Depois disso, a água será desligada. A segunda providência é tirar dos quartos qualquer coisa que gaste energia.

Aquilo sim foi um choque, pois eles sabiam que ela estava falando das televisões que cada um tinha no quarto e dos aparelhos de som. Marlene sentiu uma coisa ruim no peito ao ver que não ia mais poder ouvir seu rádio antes de dormir.

- Vocês não precisam dessas coisas porque tem que dormir cedo para acordar cedo. E não podem ficar de luz acesa depois das nove da noite. Aqui não é a casa de vocês e não temos que arcar com esses custos. Também tem mais uma coisa sobre você, Rafael.

Ele logo ficou preocupado, porque certamente ia vir bomba.

- Reparamos que você tem gasto muita gasolina ultimamente. Por acaso está usando o carro fora do horário de trabalho?

Antes que ele pudesse responder, ela foi cortando.

- Isso não será mais tolerado, entendeu? O casso é para mim e Sr. Aguiar, não para vocês! Se necessário, andem de ônibus! É para isso que existe o transporte público!

Embora ninguém demonstrasse nada, o pânico foi geral.

- Se eu o pegar usando o carro ou dando carona para alguém, será demitido na hora. Fui bem clara?
- S-sim senhora! – ele murmurou quase em pânico.
- Mais uma coisa. Comida custa dinheiro e vocês não são nossos filhos. Depois do nosso almoço e jantar, farei o prato de cada um. Vocês não precisam comer feito cavalos, isso é absurdo! E terão direito somente ao café da manhã! Por que acham que precisam lanchar durante a tarde? Mais dinheiro saindo dos nossos bolsos!

Carmem não conseguia acreditar em tamanha avareza. Por que faziam questão daquelas migalhas? Eles tinham muito dinheiro, será que aquilo ia fazer tanta diferença assim?

- Muito bem, hora do pagamento. Nesse ano, as coisas estão muito complicadas, por isso daremos somente a metade do décimo terceiro. No mês que vem pagaremos o restante.

Os três mais antigos não gostaram nem um pouco, pois já tinham planos para esse dinheiro. Mas de que adiantava reclamar?

- Aqui está o seu... – ela colocou nas mãos do Rafael. – Tome o seu. – era a vez de Marlene. – E também o seu. – esse foi para Cassandra. Os três receberam um grosso maço de notas. Quando chegou a vez de Carmem, no entanto, ela colocou apenas algumas notas em suas mãos.
- Er... – ela falou timidamente ao ver que só tinha sessenta reais ali.
- Primeiro, você entrou aqui no outro dia mesmo. Só receberá décimo terceiro no ano que vem. Segundo, você arruinou minhas cortinas, quebrou vasos, cinzeiros, acabou com meu pote de sais de banho, precisei contratar alguém para limpar a sujeira que você fez no sofá e no tapete e também tive que comprar outra saia nova!

Ela levou um susto. Saia nova? Como assim? Ao ver que a moça pareceu não entender nada, a patroa esclareceu.

- A saia que você arruinou com o ferro de passar roupa. Tem noção do prejuízo que me causou? Uma saia nova me custou cento e cinqüenta reais e não é justo que eu pague por um erro seu! E ainda falta uma parte que não descontei porque não ia dar. Pelo menos deixei uns trocados para você passar o mês. Muito bem, voltem ao trabalho!

Antes que pudesse falar alguma coisa, Marlene deu uma cotovelada para evitar um desastre. Depois que a patroa saiu da cozinha, Carmem esbravejou com raiva.

- Espera aí! Eu não estraguei saia nenhuma! Como pode ser isso? Só pego nas roupas dela pra guardar, é a Cassandra quem lava e passa... e...

Tudo ficou claro de repente e ela olhou para a outra que contava as notas fingindo ignorar tudo.

- Foi você quem estragou aquela saia, não foi? Ela colocou a culpa em mim e descontou do meu salário!
- Não sei do que você está falando!
- Sabe sim! É você quem lava e passa as roupas deles! Por que ela colocou a culpa em mim?
- Por que foi você quem guardou, ora! Ah, para de drama! No mês que vem você recebe o salário completo!
- Mas eu precisava do dinheiro!
- E o que você quer que eu faça? De qualquer forma, ela ia descontar muita coisa no seu salário. Nossa, você é desastrada demais, viu?
- Pelo menos me pague os 150 reais que não foram culpa minha!
- Eu acho que ela está certa. – Rafael disse deixando Cassandra com mais raiva ainda.
- Você está do lado dela?
- Seu erro, sua responsabilidade. – ele falou pouco antes de sair da cozinha. Briga de mulher não era com ele.
- Me pague agora!
- E se eu não quiser? Vai fazer o quê?

Por um instante, Carmem pensou em dar uns tapas na cara daquela cretina. Marlene a segurou.

- Não faça isso, garota. Anda, vai se acalmar.
- Viu o prejuízo que eu levei por causa dela? São 150 reais e agora fiquei só com essa mixaria!
- Por favor, não começa uma briga aqui ou estaremos encrencadas. Todos nós tivemos um dia terrível, não é só você que está com problemas. Vai descansar um pouco. A Cassandra irá me ajudar com a cozinha hoje.
- Eu não!

Marlene a olhou de um jeito que não permitiu contestações. Carmem saiu dali ainda reclamando daquela injustiça.

- Você fez de propósito, não foi?
- Claro que não! Foi um acidente!
- Para cima de mim não, por favor! Você passa as roupas deles há quatro anos e isso nunca aconteceu!

Cassandra bateu o pé com raiva.

- Tá, foi de propósito. E daí? Vai fazer o quê?
- Eu? Nada. É você quem devia fazer alguma coisa.
- Devolver esse dinheiro? Nem se eu quisesse! Tenho família, esqueceu? Esse dinheiro é para eles, eu não fico com quase nada!
- O que você fez é errado!

Ela encarou a outra e falou com raiva.

- Pode falar o que quiser que eu não vou devolver nada! Minha família precisa desse dinheiro e eu não vou tirar deles para dar aquela princesinha mimada! Você também tem família, sabe o meu problema!
- E a Carmem vai ficar no prejuízo?
- Sinto muito por ela, mas eu não posso fazer nada! Ela vai ter que conviver com isso.

Marlene viu que não tinha como convencer a colega de trabalho. Infelizmente, ela tinha que olhar o lado da Cassandra também. Para consertar o erro, seria preciso prejudicar sua família. Mas aquilo não podia ficar impune.

- Eu não vou falar mais nada porque tenho mesmo família para cuidar. Mas escute e escute bem! Você vai deixar essa moça em paz, entendeu?

A outra cruzou os braços e olhou para o lado.

- Estou falando sério, Cassandra! Deixe a Carmem em paz, pare de implicar com ela! Ela está sozinha no mundo, não tem família, não tem ninguém e você ainda torna a vida dela pior ainda? Qual é o seu problema?
- Não é da sua conta. Vamos fazer o jantar antes que eles mandem a gente embora pelo atraso.
- Tem razão, mas estou falando sério. Deixe essa moça em paz . Seja lá qual for o seu problema com ela, resolva de outro jeito. Nossa vida aqui já é ruim, então não piore tudo com essas briguinhas idiotas. Você não tem mais idade para isso!

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Carmem chorava de raiva em seu quarto, se esforçando para não voltar para a cozinha e arrebentar a cara daquela bruxa horrorosa.

- Oi... você está bem?
- Claro que não! Viu o que aquela desgraçada fez comigo? Agora tô quase sem dinheiro nenhum! Isso não é justo!
- Bem... parece que você andou estragando muitas coisas. Tem que tomar mais cuidado!
- É, só que essa saia me deu um prejuízo tremendo e não foi culpa minha! Por que a Cassandra tá fazendo isso?
- Também não entendo, ela nunca foi assim com ninguém.

Rafael coçou a cabeça um tanto decepcionado com a atitude infantil da colega. Que coisa, ela parecia ser uma pessoa tão legal! Por que teria feito aquilo? E como aquela moça ia passar o mês só com sessenta reais? Ele deu um suspiro. Bem... não dava para fazer muita coisa, mas dava pena ver Carmem daquele jeito, por isso ele separou uma nota de cinqüenta reais e entregou para a jovem.

- Aqui, pode ficar.
- E-está falando sério? É o seu salário!
- Não é muita coisa, mas espero que dê para quebrar o galho até o mês que vem. Você vai ter que apertar a barriga por mais um tempo, mas se trabalhar direito e não quebrar mais nada, vai conseguir ajeitar tudo.

Carmem aceitou o dinheiro sentindo-se uma mendiga recebendo esmola. Ainda assim ela não falou nada, já que não estava em posição para discutir. Como não tinha mais nada para fazer ali, ele resolveu ir para seu quarto. Na saída, deparou-se com Cassandra.

- O que você fazia no meu quarto?
- Estava conversando com a Carmem. Não achei nem um pouco legal o que você fez com ela.
- Tá, não vem me dar sermão porque a Marlene já passou na sua frente!
- Bem, só estou dizendo o que achei. Fiquei meio decepcionado, sabia? Nunca esperei isso de você. Eu dei algum dinheiro para ela e acho que você devia fazer o mesmo.
- É o dinheiro da minha família e...
- Não estou falando para deixar sua família na mão, mas devia dar alguma coisa para ajudá-la. Enfim... é você quem sabe. Eu pensei que você fosse uma pessoa legal, mas acho que me enganei. Isso foi covardia. – ele falou saindo dali deixando Cassandra no mais completo desolamento.

Ela saiu dali e foi para o lado de fora para que ninguém a visse chorar de raiva e tristeza. O que ela fizesse dali para frente não importava mais. Carmem tinha vencido a guerra.

2 comentários:

  1. To adorando a historia, e louca para saber o vai acontecer com a Carmem.

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  2. Que raiva dessa Cassandra!!!!!!!! Mulher imbecil! Idiota! Uma lixosa! Fica só ferrando com a Carmem! Ò_ó Embora eu veja que a Carmem não mudou nada, vejo isso pois deveria ficar mega-feliz ao receber as roupas da Cascuda e nem pensar duas vezes ao aceitas, e mesmo assim ainda implica com ela ¬¬'

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