Cinderela às avessas - capítulo 20: Mas descobre que tem uma boa amiga ~ TMJ do meu jeitoTMJ do Meu Jeito

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

Cinderela às avessas - capítulo 20: Mas descobre que tem uma boa amiga

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Mas descobre que tem uma boa amiga


- Nossa, filha! Você trouxe coisa demais, não vamos conseguir comer isso tudo! – sua mãe falou ao ver a quantidade de comida que Cascuda tinha trazido da festa. Mais do que sua família podia consumir. – Vai estragar!
- Não é pra nós não, mãe. Separei esses aqui pra minha amiga que não pode ir a festa.
- Ah, bom! Acha mesmo que ela vai gostar?
- Se bobear, não deve ter mais nada pra ela comer lá na mansão. Sabia que eles colocam cadeados nos armários e geladeira pros empregados não comerem nada?

Sua mãe ficou escandalizada.

- Não acredito! Que bando de gente pão dura! A coitada deve sofrer um bocado ali!
- E como sofre! Dá até dó!
- Se é assim, por que você não a convida para almoçar aqui em casa? Acho que ela vai se sentir melhor. Aí ela leva os salgados quando for embora.

Cascuda achou a idéia da sua mãe bem prática e tentou discar para o número da casa dos Aguiar. Ela sabia que normalmente não podia ligar para lá porque os empregados não estavam autorizados a usar o telefone. Por outro lado, seu primo tinha lhe contado que eles iam viajar e só voltariam dia vinte e seis de noite, então não estavam em casa naquela hora. Só restava torcer para que Carmem atendesse. 

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Ela acordou com o estômago roncando de fome, pois não tinha comido direito no dia anterior.

- Ai... agora eu vou ficar passando fome toda hora? Isso é ruim demais!

Carmem tentou procurar na cozinha por algo para comer e não achou uma mísera migalha. Toda a comida estava muito bem trancada e inacessível. Aquele tipo de coisa não existia na sua casa, onde tudo ficava a mostra e a comida não era regulada daquele jeito.

- Que saudades de casa... como papai e mamãe passaram o natal? Será que sentiram minha falta? Ah, claro que não! Eles nem me conhecem mais! Droga, preciso comer alguma coisa!

Ela foi perambulando pela casa na esperança de encontrar alguma bomboneira ou coisa parecida. Pelo menos na sua casa eles usavam muito isso, sempre tendo bombons finos ou biscoitos em locais estratégicos. Só que ali não tinha nada. Que casa mais estranha aquela!

Era a primeira vez que ela andava por ali sem ninguém lhe vigiando. A área social onde ficavam as visitas era bonita, luxuosa e bem decorada, mas os outros quartos eram simples. Simples demais! Em alguns, só tinha uma cama de solteiro e nada mais. Os armários eram vazios e não tinha nenhum enfeite. Só o quarto de casal era luxuoso e cheio de comodidades.

A impressão que ela teve era a de que aquela mansão era feita mais para exibir para os outros do que para viver. Eles gostavam de ostentar riqueza, mas na intimidade eram dois avarentos.

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Cascuda estava preocupada. Após mais de meia hora tentando, ninguém atendia ao telefone.

- Acho que sua amiga deve ter saído. – sua mãe falou.
- Ou então é mesmo verdade que eles desligam o telefone da casa quando saem.
- Minha nossa, eles são terríveis! Ela não tem celular?
- Não.
- Vixe, a coitada está numa pior mesmo!

Ao ver a tristeza da moça, seu pai resolveu fazer algo. Ninguém ficava triste na sua casa no dia do natal.

- Se você faz tanta questão, podemos buscá-la. Você tem o endereço da casa, não tem?
- Tenho, mas não sei chegar lá de carro.
- Conheço bem aquele bairro. É só me dar o endereço. O trânsito hoje deve estar mais tranqüilo, num instante a gente vai e volta.

O rosto dela se iluminou e ela pulou no pescoço do pai lhe dando um grande abraço.

- Obrigada, pai!

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- Hum... deixa eu ver... talvez comprar pão e presunto pra fazer sanduíche. Será que fica muito caro? Ih, as padarias daqui são bem careiras! – Carmem contou o dinheiro calculando o quanto precisaria gastar para comer ao menos um pouco naquele dia. Marlene tinha lhe aconselhado a guardar seu dinheiro e gastar só quando estritamente necessário. E daquela vez era mesmo. – Ué, o interfone?

Ao atender, ela teve uma grande surpresa ao saber quem estava do outro lado.

- Carmem? É você?
- Cascuda? M-mas o que você tá fazendo aqui?
- Vim te chamar pra almoçar lá em casa. Vem logo que a gente precisa ir.
- Mas eu tô horrorosa, tenho que me arrumar e...
- Deixa disso! Vem do jeito que tá mesmo senão vai levar muito tempo!

Carmem hesitou um pouco e acabou concordando. Ficar ali sozinha ela não queria mesmo.

- E-eu não acredito que vocês vieram me buscar!
- É natal, menina. Ninguém merece ficar sozinho. – seu pai respondeu e as duas ficaram num silêncio meio constrangedor durante o trajeto.

Era difícil de acreditar que Cascuda tinha se preocupado em lhe buscar mesmo depois de tudo o que aconteceu no dia anterior. Por que ela estava fazendo isso? Será que pretendia fazê-la arrumar sua casa depois do almoço? Apesar das desconfianças, ela ficou em silêncio. Depois de tudo o que aconteceu, o melhor era aceitar as coisas como estavam.

- Bom que te acharam! – a mãe da Cascuda falou. – Deve ser muito ruim ficar sozinha naquela casa tão grande!
- E é mesmo! Obrigada por terem me convidado!

“Heim? Ela disse mesmo obrigada? Essa é nova!” Cascuda pensou surpresa com a atitude da outra e elas foram para o quarto conversar. Carmem contou sobre a visita da Madame Creuzodete e tudo o que ela tinha lhe falado. Embora concordasse com a maior parte, Cascuda achou que tinha sido um pouco de crueldade por parte da vidente.

- E agora ela foi embora e me deixou sozinha! Tô com muito medo!
- Então você vai ter que trabalhar muito bem porque seus patrões são chatos de doer!

Ela ficou triste e pensativa por um tempo e perguntou.

- Como foi a festa?
- Er... foi boa... – respondeu meio sem jeito de falar que a festa tinha sido maravilhosa.
- E o pessoal me esqueceu mesmo, não é? Ninguém nem sentiu minha falta.
- Bem... o Toni perguntou por você.
- Aff, daquele nojento eu quero distância.
- Quando soube que ele tinha falado besteira pro seu lado, a Mônica deu uns bons tabefes nele.
- Hahaha, bem feito!

As duas se calaram um pouco e Cascuda voltou a falar.

- Olha, Carmem... desculpa eu ter te chamado de pobre coitada. Por causa disso você acabou não indo pra festa. Tudo bem que você é muito mimada e difícil (não faz essa cara feia!), mas eu também errei.
- Er... eu acho que exagerei um pouquinho também...
- Um pouquinho?
- Tá bom, um monte! Então de... de... de... – Carmem ficou com o rosto vermelho e colocou a mão no peito como se estivesse com falta de ar. – Me dá um segundo, eu sei que consigo. De... de... desculpa! Ai meu santo! Pensei que fosse morrer!
- Calma, respira fundo! A primeira vez dói, mas depois você acostuma! – ela falou lamentando não ter filmado com o celular o primeiro pedido de desculpas da Carmem Frufru.

Quando se recompôs, ela falou com o rosto triste.

- Tudo isso é difícil demais pra mim e eu não sei o que fazer. Tô perdida e confusa!
- Eu sei! Nem consigo imaginar o que você tá passando, mas agora as coisas mudaram e você tem que se adaptar!
- A Creuzodete também falou algo assim. Mas sabe por que é tão difícil?
- Porque você não tá gostando de ser pobre?

Ela balançou a cabeça negativamente e explicou.

- Lembra de quando o Licurgo deu aquela matéria para a prova e no dia cobrou outra coisa que não tinha nada a ver?
- Grrrr! Até hoje eu tô com vontade de esganar aquele doido! Ainda bem que aquela prova não valia nada, senão teria diminuído a minha média!
- É assim que eu me sinto.
- Com vontade de esganar a Creuzodete?
- Isso também, e porque estão me cobrando algo que nunca me ensinaram. Toda vida fui criada de um jeito, tive tudo na mão e nunca precisei me preocupar em trabalhar e pagar as contas. Agora estão me cobrando essas coisas que eu não conheço!

Cascuda ficou impressionada com a analogia que Carmem fez e viu que tinha lógica.

- Vocês falam que eu mereço isso, não tenho direito de achar ruim, tenho que aceitar, me conformar, me adaptar, mas eu é que sei o que tô passando!
- Entendo... não te deram estrutura pra agüentar esse tranco, não é?

Carmem começou a chorar.

- Não! E agora eu tô morrendo de medo porque não sei o que fazer e nem se dou conta! Todo mundo acha que eu sou uma burra e eu também tô achando isso!

Sua consciência pesou um pouco e ela procurou animar a amiga.

- Sabe, a Mônica me contou o que você fez por mim e o Cascão.
- Quêeee? Contou?
- Sim... seu jeito de ajudar é meio estranho, mas graças a você me entendi com o Cascão e procuro ser uma pessoa melhor e menos chata com ele. E também tem aquele trabalho que você conseguiu fazer sozinha. Aposto que teria tirado uma nota boa!
- Por que tá falando isso?

Ela pegou as mãos da amiga e falou num tom mais suave.

- Você é inteligente, Carmem. Quando quer, consegue bolar planos, ajudar as pessoas e até deu conta, sozinha, de um trabalho onde caía toda a matéria do semestre. Então burra você não é. Só despreparada e isso tem solução.
- Qual solução?
- Aprender! Você precisa aprender a fazer o serviço direito!
- Mas quem vai me ensinar? A Marlene não pode e a Cassandra me odeia!
- Aqui em casa vamos te dar umas dicas, mas acho que você devia tentar se entender com a Cassandra. Tente descobrir por que ela não gosta de você e faça as pazes.
- Tá falando sério? – ela perguntou surpresa.
- Claro! A melhor maneira de vencer o inimigo é tornando-o seu amigo.
- Pior que é mesmo!
- Faça as pazes com ela e terá uma boa professora. Concentre-se nisso primeiro, uma coisa de cada vez. Depois a gente vê o resto.

Alguém bateu na porta. Era a mãe de Cascuda chamando-as para almoçar.

- Vamos que eu tô morrendo de fome!
- Ai! Eu também! Acho que vou acabar comendo tudo que tem na mesa!

O almoço foi alegre e Carmem foi embora no fim da tarde porque precisava acordar cedo no dia seguinte para trabalhar. Os pais de Cascuda lhe deram alguns conselhos e dicas sobre trabalho doméstico e ela também levou alguns doces e salgados da festa de natal. A mãe de Cascuda ainda lhe deu uma espécie de marmita para que Carmem pudesse ter o que jantar naquela noite e o pai a levou até a mansão dos Aguiar para que ela não tivesse que ir de ônibus.

O lugar estava frio e silencioso como sempre, contrastando muito com o ambiente alegre e aconchegante da casa da Cascuda. Seus pais eram bem alegres e afetuosos, diferente dos seus que eram mais formais e quase não davam risadas quando estavam à mesa.

Ela sabia que tinha uma longa estrada pela frente. Ninguém mudava da noite para o dia, mas pelo menos ela sentia mais disposição em lutar. Se aquela vidente de araque pensava que ela tinha sido derrotada, então ela ia lhe mostrar que ninguém derrubava a Carmem Frufru.

Um comentário:

  1. Awn... Que capítulo mais fofo! Adorei :).

    E quanto a TMJ 66, agora eu parei para pensar... Será que o robô não é o tesouro? Isso é... Pode ter sido montado pelo Franja, mas... Onde ele arranjou material? As outras naves? Então onde arranjou ferramentas? Será que tinha mesmo? E como levou tão pouco tempo? Acho que ele poderia ser o tesouro... Quem sabe?

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